A Origem da História da Criação – A Bíblia não dá nenhuma explicação da origem do relatório da criação contido no Gênesis. É razoável supor que Deus mesmo comunicasse os fatos a Adão e Eva. Deles, provavelmente, passou por tradição para Moisés, que escreveu os fatos sob a inspiração divina, omitindo quaisquer erros ou inexatidão que se tivessem intrometido na história em seu tempo. A história é de todo o ponto de vista completa e satisfatória. O crítico bíblico, Skinner, diz: “É uma coisa ousada desejar um tratado mais digno do tema, ou mais impressivo no efeito, do que o que achamos no bosquejo rigorosamente cinzelado e nas cadências majestosas do primeiro capítulo de Gênesis” (1). As Escrituras mesmas consideram este relatório como história verdadeira. Notai as seguintes passagens: Êxodo 20:9-11; 31:17; Salmos 8 e 104; S. Mateus 19:4-6; II S. Pedro 3:5; Hebreus 4:4 (2).

I. O PRIMEIRO DIA

a. A Criação das Substâncias da Terra

“No princípio criou Deus os céus e a terra. Ora, no que respeita à terra, estava sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus Se movia sobre a face das águas”. Gênesis 1:1 e 2. (As sentenças em negrito são citadas do livro Exposition of Genesis, de H. C. LEUPOLD. São suas traduções do texto original hebraico).

Esta declaração responde à pergunta: “Qual foi o princípio da terra?” As coisas começaram pela palavra de Deus na Sua criação do céu e da terra. Quanto à terra, não tinha existência antes desse tempo. O Criador é chamado Elohim, palavra hebraica no plural, usada para indicar alguém que pela Sua natureza e Seu trabalho desperta no homem um santo temor e reverência. Estes versos demonstram claramente a falsidade da pretensão do panteísmo, acentuando a personalidade de Deus. Ele existiu antes da matéria e forma da terra e as trouxe à existência. Portanto, não podem constituir parte de Sua pessoa.

A palavra bara traduzida aqui por “criou”, nunca é usada na Bíblia no Kal, ou forma simples do verbo para outra atividade que não a divina. Esta palavra nem sempre significa formar alguma coisa do nada. Para ilustrar, em Isaias 65:18 lemos: “Eis que crio (bara) para Jerusalém alegria, e para o seu povo gozo”. E mais uma vez em Gênesis 1:1, onde não se encontra nenhum material que possa ser trabalhado, bara significa “criação do nada”. Esta doutrina também é ensinada em Romanos 4:17; Hebreus 11:3; Salmo 33:6 e 9 e Amós 4:13 (3).

As declarações dos versos 7-10 de Gênesis 1 fazem com que se presuma de maneira lógica que “céus” e “terra” do verso 1 são nosso firmamento e nosso mundo respectivamente. Em verdade, o mesmo Deus criou o resto do universo; mas, possivelmente exceto a alusão às estrelas (verso 16), a história do Gênesis se relaciona especialmente com o nosso sistema solar e especificamente com a nossa terra.

Tendo estabelecido que as duas partes do mundo, terra e firmamento, ou céu, se originaram pela palavra do Criador, o autor do Gênesis logo depois descreve a aparência da matéria-prima da terra, imediatamente depois de sua criação. A frase hebraica aqui traduzida “sem forma e vazia” é tohu wavohu. Tohu é uma palavra que significa “sem forma”. Bohu vem da raiz “estar vazio”, significando portanto que “não tinha nada”.

Comentando esta expressão, o Dr. Leupold diz: “Tohu” é realmente usado como um adjetivo enfático, como é também, naturalmente, bohu. Sobre o verbo hayethah, “era”, não pode recair ênfase, numa sentença em que seguem dois predicados significativos. Deve servir simplesmente como união. Consequentemente, todo o intento para pôr neste verbo algum pensamento como ‘a terra já existia’, ou ‘assim esteve por muito tempo’, é inteiramente inadmissível em gramática” (4).

Esta mesma expressão, tohu wavohu, é usada em Jeremias 4:23 para descrever a terra durante o milênio, quando as formas vivas estão ausentes, ou quase ausentes. Contudo deve-se observar que a condição “sem forma e vazia”, descrita em Jeremias, refere-se unicamente à superfície da terra. À luz deste texto parece razoável, portanto, presumir que a descrição de Gênesis 1:2 pinta a terra inteiramente formada como um corpo astronômico e estabilizada na sua geologia, com exceção do aspecto de sua superfície, inteiramente sobre o controle das “forças naturais”, e caracterizada pela falta de qualquer ser vivo.

Absoluta escuridão havia na superfície da terra. Aparentemente, nem mesmo a luz das estrelas alcançava a superfície. Que as estrelas existiam naquele tempo é certo, porque agora sabemos que tem incidido sobre nossa terra o brilho estelar que deixou as estrelas milhões de anos luz no passado – e nossa terra, de acordo com a cronologia bíblica, não pode ter mais do que sete mil anos de existência. É provável que a camada de nevoeiro que envolvia a terra, como os versos seguintes o indicam, impedisse que o brillho das estrelas a alcançasse.

A palavra traduzida aqui por “abismo” é a palavra tehom, que vem da raiz hum, significando “retumbante”. Que “abismo” se refere à água como a conhecemos, é indicado pela cláusula seguinte, onde a palavra “águas” a substitui. Pode parecer que pelo menos uma grande porção de superfície disforme da terra, se não sua inteira superfície (ver Salmo 104:7-9), estivesse coberta com água, e aparentemente, por alguma razão, esta água estava em agitação suficiente para que houvesse barulho. Ao contrário da opinião comum, o ar não foi criado no segundo dia mas deve ter sido trazido à existência antes, com as outras matérias inorgânicas. Se o ar não tivesse estado presente, tehom, o “abismo” ou “águas”, teria evaporado prontamente para o vácuo acima da terra. Assim, teria sido possível ao vento atmosférico produzir ruido.

Ruach Elohim, o Espírito de Deus, ou Epírito Santo, é apresentado como Se movendo protetoramente sobre a superfície da massa informe da terra. Este particípio, mera (ch) chepheth, nunca é usado na Bíblia para sugerir “incubar”; pelo contrário, sugere adejar, mover-se. A diferença pode ter significação. Uma galinha, por exemplo, choca os ovos mas move-se sobre os pintos. A interpretação fabulosa de que o Espírito estava incubando o mundo em embrião é indefensável.

A pluralidade de Elohim no primeiro verso é parcialmente explanada no segundo verso, pela presença do Espírito Santo. Este verso em conexão com S. João 1:1-3; Colossenses 1:16 e I Coríntios 8:6, torna claro que “os Deuses” que criaram a nossa terra foram o Pai, o Filho e o Espírito Santo (5). O plano foi desenvolvido pelos primeiros dois membros da Trindade; Cristo, o Verbo, deu a ordem para o aparecimento dos materiais e formas, e o Espírito Santo foi o agente ativo, executando o trabalho de modo sobrenatural. Assim Elohim, “os Deuses”, foi triúno na natureza, formando a Trindade.

b. O Aparecimento da Luz

“E disse Deus: Haja luz. E houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite; então veio a tarde, e então veio a manhã – o dia primeiro.” Gênesis 1:3-5.

A ordenada seqüência do trabalho da semana da criação é muito impressiva. Para fazer provisões para o aparecimento e manutenção de plantas e animais, a matéria-prima teve primeiro de ser trazida à existência, e posto sob controle o que chamamos “lei natural”. Então o quesito mais essencial para a vida foi a luz acompanhada de calor.

O texto hebraico diz: Ye hi or wa ye hi or (“Haja luz e então houve luz!”). A Palavra or não se refere aos corpos celestes mas ao fenômeno físico chamado luz. A fonte desta luz não é revelada aqui. Entretanto, não é ilógico supor que todo o nosso sistema solar fosse formado no primeiro dia. Naquele evento o Sol estaria presente, e sua luz apareceria numa forma difusa através das nuvens pesadas que sem dúvida envolviam a terra. Que a terra começou a rotação sobre o seu eixo quando apareceu, é demonstrado pelo fato de que o primeiro dia consistiu de uma porção de trevas e uma porção de luz, tarde e manhã. Os últimos três dias da semana da criação são claramente controlados pelo Sol, cujo disco apareceu visivelmente no quarto dia, e os dias são descritos nos mesmos termos usados para delimitar os primeiros três. Isto constitui forte argumento de que os primeiros seis dias foram iguais em extensão e em natureza; foram dias normais de vinte e quatro horas.

A palavra hebraica wayyabhdel, que é traduzida, “E fez Deus separação entre a luz e as trevas”, não significa que a luz estava misturada com as trevas e que tivesse de ser desembaraçada, mas significa literalmente: “Fez separação”. Assim uma funcionou num tempo e outra noutro tempo. Podemos mesmo ser justificados quando afirmamos que ocorreu uma separação entre a luz e as trevas. A passagem de Jó 38:19 e 20 leva-nos a tal conclusão (6) .

É interessante notar que no verso 5 a palavra “dia”, (yom) é usada em dois sentidos. Dia (yom) quando usado com “noite” (layelah) deve referir-se à parte clara do dia, mais ou menos doze horas. Quando é feita a declaração de que o “dia” (yom) terminou, a mesma palavra é usada para significar um período de vinte e quatro horas.

Há quem diga que a expressão “e foi a tarde e a manhã” significa que o dia começa com a manhã e não com a tarde. O argumento usado em tais casos é que o verso 5 descreve a conclusão do trabalho deste dia e não o seu começo, isto é, a tarde mergulha na noite, que é terminada pela manhã seguinte, o começo do dia seguinte. Este é um ponto de vista de um grupo exemplificado por Otto Procksch, em Kommentar zum Alten Testament (Gênesis), que assegura que “tarde” é usada como a terminação da porção iluminada do dia, e “manhã” como o fim da porção escura. Entretanto, deve-se reconhecer que os começos das duas metades de cada dia, isto é “tarde” para a porção escura, e “manhã” para a parte clara, podiam ser usados para indicar o dia inteiro, assim como o final das duas metades. De fato parece muito mais lógico que cada metade fosse demarcada por aquilo que a separa da metade precedente, do que o fim de cada metade fosse usado para indicar o período das doze horas que ela termina. O argumento de que todo o verso 5 descreve a conclusão do primeiro dia não é sustentável. Note-se que a expressão: “Veio a tarde… veio a manhã” aparece no fim do registro de cada dia. O autor evidentemente usa esta expressão não somente para sumariar as declarações de cada dia mas também com o propósito de tornar muito claro o fato de que todos os dias foram iguais em extensão; cada um consistindo de aproximadamente doze horas de escuridão, seguido de doze horas de luz aproximadamente: “tarde” e “manhã”.

Não é necessário que o estudante se confunda quanto ao começo de cada dia, se foi de tarde ou de manhã. Qualquer aparente dificuldade aqui se torna completamente clara quando lembramos que o Criador mesmo, novamente, definiu os limites do sábado aos filhos de Israel na Sua instrução de que eles deviam observar o dia sagrado “duma tarde a outra tarde” (Levítico 23:32). Lemos em Gênesis 2:2 e 3 que o ato final da semana da criação foi a santificação ou separação do sétimo dia para uso santo e a colocação de uma bênção muito especial sobre as horas daquele dia. Este memorial do trabalho da criação e sinal do amor e poder do Criador devia durar tanto quanto a terra e por toda a eternidade. Isaías 66:23 (7) .Que esta já era uma instituição existente antes que a lei fosse dada no Sinai, é evidenciado pela milagrosa provisão do maná nos dias da semana e pela sua ausência no sábado, bem como a reprovação de Deus para os que procuraram maná no sétimo dia (Êxodo 16:22-30) (8) .

O sétimo dia da semana da criação começou no fim do sexto dia, que, à luz de Levítico 23:32, terminou com o pôr-do-sol de sexta-feira. É inteiramente inadmissível sustentar que o Criador tivesse dito aos filhos de Israel que o sábado começava com o pôr-do-sol de sexta-feira se, na criação, tivesse começado com o aparecimento do Sol no sétimo dia. Se Procksch está certo na sua asserção de que a palavra “tarde” é usada para marcar o fim da porção escura, então o sábado delimitado para os filhos de Israel teria consistido da porção escura do sexto dia e unicamente da porção iluminada do sétimo, o único dia que foi inteiramente santificado. Mas a declaração de Gênesis é que o sexto dia terminou antes que o sétimo dia, ou sábado, começasse. Aqui não pode haver mais de uma conclusão acertada – que o sétimo dia começou como os primeiros cinco que o precederam, ao pôr-do-sol do dia anterior.

A idéia que yom (“dia”) significa um período de tempo mais longo do que vinte e quatro horas não tem aprovação nos dicionários hebraicos de reputação como os de Buhl (9); Brown, Driver e Briggs (10); e o de Eduard Koenig (11). Skinner declara: “A interpretação de yom como aeon, recurso favorito dos harmonizadores de ciência e revelação, é oposta ao claro sentido da passagem e não tem aprovação no uso hebraico” (12). Dillmann diz: “As razões apresentadas pelos escritores antigos e modernos para interpretar estes dias como períodos muito longos são inadequadas” (13).

O quarto mandamento (Êxodo 20:8-11) declara que, porque Deus fez os “céus e a terra, o mar e tudo o que neles há” em seis dias e descansou no sétimo, do mesmo modo devemos trabalhar seis dias e descansar no sétimo. Seis dias de vinte e quatro horas seguidos de um dia semelhante de descanso, unicamente, fornecem uma adequada analogia para o nosso trabalho de seis dias e descanso no sétimo.

II. O SEGUNDO DIA

a. O Estabelecimento do Espaço Vazio

“E disse Deus: Haja um firmamento no meio das águas, e que ele cause a divisão entre águas e águas. E fez Deus o firmamento, e fez separação entre as águas que estavam debaixo do firmamento e as águas que estavam sobre o firmamento. E assim foi. E chamou Deus ao firmamento céus, e veio a tarde, e veio a manhã – o dia segundo.” Gênesis 1:6-8.

A palavra “firmamento” é traduzida do Latim firmamentum da Vulgata, e compreende alguma coisa estabelecida firmemente em um lugar. Todavia a palavra hebraica traduzida firmamento (raquia) indica alguma coisa nebulosa ou intangível, uma expansão ilimitada. Assim a ordem seria, literalmente: “haja uma coisa nebulosa e ilimitada a expandir-se entre as águas, para separar águas de águas”. Esses versículos indicam que no princípio do segundo dia a superfície da terra se achava em grande parte coberta de água, e a atmosfera era uma fria coberta de neblina que obscurecia os corpos celestes com espêsso véu. Os objetos só se viam de muito perto. Para prover um espaço em que pudesse existir a vida neste planeta, o Criador separou as águas da superfície da terra das que se achavam em cima, fazendo com que um ar pesado e seco enchesse o espaço antes ocupado pela neblina. Esta se ergueu acima desse mar de ar seco, acumulando-se em forma de uma contínua e pesada camada de núvens. Todas as forças naturais estavam aparentemente em ação desde que a matéria fora chamada à existência, no dia anterior. O firmamento pode ter sido limpo da mesma forma em que hoje desvanecem as massas de neblina. O calor do Sol sobre a superfície da terra sem dúvida teve muito que ver com essa mudança na umidade atmosférica, quando o mundo pela segunda vez fazia sua rotação perante ele. A obra do segundo dia foi mais do que a criação do ar propriamente dito, fazer a separação das águas pela interposição de ar seco entre a água da superfície e o ar úmido, motivando as respectivas camadas. A expressão wihi mabhidil (“e haja uma divisão”) é um exemplo muito claro do uso do particípio para expressar a permanência de certa correlação. Continuamente desde aquele dia, agências intermediárias, como o Sol, têm feito com que as nuvens flutuem no alto do firmamento e deixem assim um espaço livre para o movimento dos seres vivos sobre a terra e no ar ao redor dela.

b. A Teoria do Vapor Envolvente

Esta teoria, que tem sido favoravelmente considerada por alguns criacionistas, declara que quando o Criador separou as águas no segundo dia, formou uma transparente camada de vapor d’água acima da nossa atmosfera atual. De acordo com esta teoria, essa camada de vapor d’água teria um efeito modificador sobre os raios solares. Em verdade absorvia grande porção de raios actínicos que, sob as condições presentes, impedem o crescimento das plantas e fazem com que os animais procurem a sombra para sobreviver. A teoria ainda afirma que este envoltório também conservaria o calor introduzidos pelos raios solares, evitando sua perda no espaço interestelar, e contribuiria assim para um clima subtropical sobre a terra de um polo a outro. De acordo com esta teoria, ao tempo do dilúvio esse vapor envolvente condensou-se e baixou sobre a terra, tornando possível que a chuva caísse continuamente sobre toda a superfície da terra, durante quarenta dias e quarenta noites. Com a presença dessa camada envolvente, a pressão sobre a superfície da terra seria muito maior do que agora, e seu colapso repentino produziria uma maré e outra ação destruidora na superfície da terra.

III. O TERCEIRO DIA

“E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca. e assim foi. E chamou Deus à porção seca terra; e ao ajuntamento das águas chamou mares. E viu Deus que era muito bom. E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra. E assim foi. E a terra produziu capim e ervas, dando semente conforme a sua espécie, e árvores frutíferas, cuja semente está nelas conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. Então veio a tarde, e então veio a manhã – o dia terceiro.”

Aparecera a luz, a atmosfera estava livre do nevoeiro, e agora no terceiro dia o tehom ou abismo ressonante recebe atenção. As águas em cima nos céus já estavam reunidas em uma camada de nuvens, espêssa e contínua, e agora as “águas debaixo dos céus”, isto é, as águas sobre a superfície da terra, são reunidas em “um lugar”. Em vez de indicar o oceano, esta expressão “um lugar” sem dúvida significa os grandes corpos coletivos de água. As evidências que existem em nossa terra na forma de fósseis de corais e plantas sub-tropicais nas regiões antártica e ártica, indicam que toda a sua superfície, incluindo o polo, desfrutou uma vez de um clima sub-tropical, e sugere que estes corpos dágua podem de fato ter constituido um corpo único muito ramificado, cuja circulação do equador ao polo e vice-versa, tenderia a igualar o clima em todas as regiões.

A maneira do aparecimento da hayyabbashah, “a porção seca”, pode ser descrita para nós em Salmo 104:5-9. “Lançou os fundamentos da terra, para que não vacile em tempo algum. Tu a cobres com o abismo, como com um vestido: as águas estavam sobre os montes. À Tua repreensão fugiram, à voz do Teu trovão se apressaram. Sobem aos montes, descem aos vales, até ao lugar que para elas fundaste. Limite lhes traçaste, que não ultrapassarão, para que não tornem mais a cobrir a terra.” Naturalmente, é de igual modo muito possível que Davi, quando fez o seu poema na encosta da montanha, falava da superfície da terra como a via então. Neste caso a descrição se aplicaria ao tempo do dilúvio e não à condição original.

É observado que a usual aprovação do Criador ao Seu trabalho no fim de cada dia foi omitida ao fim do segundo dia. A explicação disto pode ser o fato de que o trabalho da separação das águas ocupou o segundo dia e parte do terceiro. No segundo dia o nevoeiro da superfície se ergueu para formar uma camada de nuvem, e no terceiro as águas da terra barrenta foram separadas na “porção seca” e no yammim, ou mares, termo aqui usado em sentido amplo, para que incluísse grandes mares, como nós os conhecemos e também lagos e rios. Depois, quando a separação de todas as águas foi completada no segundo dia e parte do terceiro, o Criador colocou sua aprovação: “Eis que era bom”.

O resto do trabalho do terceiro dia consistiu na formação das plantas. A ordem foi dirigida à terra. A palavra usada no verso 11, dasha, literalmente significa: “Brote da terra!” O verso 12 registra que a terra fez as plantas “saírem” (yatsa). A indicação é de que as plantas aparecem como resultado do crescimento que foi acelerado como para ocupar um momento apenas. Tal produto podia possivelmente ser indistinguível das plantas que cresciam naturalmente. À luz destes fatos, não precisamos perguntar o que veio primeiro, se as plantas ou as sementes. As plantas vieram primeiro.

Assim a substância da planta foi a substância da terra. Nos nossos dias as plantas ainda são um produto da terra. Os elementos minerais fornecem os materiais de construção dos quais partes do protoplasma e as paredes das células são construidas; eles influenciam a pressão osmótica das células das plantas; influem na acidez; eles influem na hidratação das células coloidais; influenciam a permeabilidade das membranas e servem como catalisadores. As plantas aparentemente requerem do pó da terra e sua atmosfera pelo menos carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, enxofre, fósforo, cálcio, magnésio, potássio, ferro, boro, manganês, cobre, zinco, sódio, silício e cloro – que constituem o pó da terra.

Os três grupos de plantas mencionados, capim (deshe, palavra cujo radical significa “estar úmido”), ervas (esebh, “herbáceos”), e árvores (ets peri, “árvores frutíferas”), evidentemente têm em mira abranger toda a vegetação. O primeiro grupo talvez não inclua o capim como o conhecemos, mas pode referir-se a formas como os musgos, líquens e outras espécies que tapetizam o chão. Que os membros do segundo grupo são distintos daqueles do primeiro, é evidente pelas passagens de II Reis 19:26 e Isaías 37:27 (14), (15), onde eles são mais uma vez mencionados separadamente numa enumeração. Também os membros do segundo grupo são descritos como mazria zera – “plantas que dão semente”. Dir-se-ia assim que os membros deste grupo sejam destacados como “tendo semente”. É este grupo, esebh, mencionado no verso 29, como dado ao homem juntamente com frutos e nozes para o seu alimento. A tradução “erva do campo”, que é usada em Gênesis 3:18 para descrever parte do alimento dado ao homem depois do pecado, é esta mesma esebh (16). Esebh é também usada em Deuteronômio 11:15 para descrever o alimento dos animais (17). Assim, este segundo grupo parece incluir tudo entre musgos, líquens, fetos e outras plantas que não têm semente, e árvores e arbustos. O termo ets peri, que abrange o terceiro grupo, é um coletivo singular que se emprega para as plantas lenhosas que produzem nozes e pinhas, e frutos carnosos como amoras, pêssegos, maçãs, etc. Estes três grandes grupos não coincidem com a moderna classificação das plantas, não obstante são muito próprios porque são ainda visíveis os tipos rudimentares, os herbáceos mais altos e os arbustos e árvores.

Estes versos determinam muito claramente que no simples intervalo de um dia constituido de um período de trevas e de um período de luz, isto é, um dia solar, o Criador formou todas as diversas plantas. É importante notar que esta vegetação inclui plantas com sementes, que os evolucionistas consideram ser as formas mais elevadas e recentemente evoluidas. Não é um quadro da formação de algumas formas simples, unicelulares, que evoluiram gradualmente para formas complexas, portadoras de semente, durante muitos milhares de anos. Em vez disso, sabemos que cada espécie distinta de planta que tem vivido sobre a terra foi formada no terceiro dia.

A declaração de que o Criador ordenou que a terra produzisse plantas “segundo a sua espécie”, aparentemente significa, em parte, que Ele mesmo formou estes organismos segundo um plano bem ordenado. É testemunha deste fato a presente classificação lógica das plantas do mundo. Sobre uma surpreendente variedade de caracteres morfológicos é possível edificar numerosos grupos extremamente interessantes. O taxonomista no seu trabalho está aparentemente pensando os pensamentos de Deus, após Ele, quando descobre os grupos naturais das plantas.

Uma questão extremamente importante é focalizada nos versos 11 e 12 de Gênesis 1. Esta questão se relaciona primariamente com a fisiologia das plantas e não com a sua morfologia. Isto é verdade porque a forma e estrutura de uma planta procedem do funcionamento de suas unidades hereditárias (genes), sob as influências do ambiente. O dogma da evolução determina que as espécies de organismos deram (e, às vezes, estariam dando) origem a outros organismos que são morfológica e fisiologicamente de espécies diferentes das dos seus progenitores. Todavia, estes versos declaram que uma flora completa apareceu em todas as suas espécies básicas no terceiro dia.

Surge naturalmente a pergunta: Apareceram novas espécies de plantas depois da semana da criação? A seguinte declaração do falecido geneticista da atualidade, Thomas Hunt Morgan, representa o pensamento de todos os evolucionistas que estão na posse dos fatos:

“Dentro do período da história humana não conhecemos nenhum simples exemplo da transformação de uma espécie em outra … Pode-se afirmar, portanto, que a teoria da descendência está em falta no aspecto mais essencial que se necessita para colocar a teoria em bases científicas. Isto deve ser admitido” (18) .

Sem nenhuma evidência para a origem de novas espécies após o começo da história humana, perguntamos naturalmente: Há evidência do aparecimento de novas espécies no “tempo geológico” – o único registro natural que temos do passado? Os evolucionistas mesmos dirigem a nossa atenção aqui a um fato de suma importância, que, num passado tão remoto quanto os organismos podem ser achados como fósseis nas rochas, nenhuma série de elos pode ser descoberta como ponte que transponha o abismo morfológico entre as espécies (19). Portanto, deve-se concluir que nenhuma nova espécie de organismos surgiu por processos naturais após a semana da criação.

Outra questão que surge aqui é esta: A declaração “segundo a sua espécie” refere-se simplesmente à prossecução de um plano ordenado na mente do Criador, em estabelecer a morfologia das plantas, para que espécies separadas fossem criadas, ou isto compreende um estado morfológico e também, ao mesmo tempo, uma habilidade inata para reproduzir somente segundo suas espécies? Autoridades bíblicas concordam unanimemente que o comportamento reprodutivo é também descrito aqui. Exemplos de opiniões de autoridades neste ponto são os seguintes:

“A par das várias espécies e sementes, a par da propagação determinada das plantas, cada uma segundo a sua espécie, ali entra clara e distintamente a concepção da natureza que já é anunciada nos grandes contrastes” (20).

“Cada gênero (espécie) permanece fixo e se reproduz segundo a sua espécie, isto é, as várias espécies que eles abrangem” (21).

“Fruto segundo a sua espécie”. Que diria o Sr. Darwin sobre isto? Não é isto uma refutação de sua elaborada teoria sobre a origem das espécies? O produto será sempre da mesma espécie da semente. Pode haver variação na direção e expressão da vida germinal, mas sua espécie original é imutável” (22).

“Dois outros sinais, entretanto, estão apensos a esta classe: primeiro, estes frutos trazem fruto segundo a sua espécie, limitação peculiar e definida, que entendem melhor os que têm visto como a ‘espécie’ estabelece limitações sobre tudo que as poderia misturar e cruzar. A natureza mesma aqui é vista tendo definidos limites fixos, que aparecem como leis constantes ou como barreiras intransponíveis” (23).

É uma lei de reprodução hoje estabelecida que a planta que se propaga de uma anterior é sempre da mesma espécie que seus ancestrais. Todas as evidências até aqui encontradas demonstram que em todos os casos trigo tem vindo de trigo, rosas de rosas, maçãs de maçãs, etc. Os evolucionistas declaram que tal nem sempre tem sido o caso, pelo contrário, que, em muitos exemplos, apareceram plantas que eram de espécie diferente que a dos seus ancestrais. Entretanto, não o podem provar.

É indiscutível que espécies extremamente diversas de plantas não podem cruzar-se hoje e nunca se conheceu o seu cruzamento, por exemplo: abóboras e rosas. Parece muito razoável para todos os criacionistas supor que tais espécies diversas não possam e nunca puderam cruzar-se. Por exemplo, o rabanete e o repolho cruzam-se e produzem uma nova semente fértil. São eles membros de duas espécies diferentes ou da mesma espécie?

Alguns criacionistas crêem que o rabanete e o repolho devem pertencer a espécies diferentes. Em verdade a aparência superficial das partes vegetativas das plantas pode indicar isto. Mas quando consideramos

1) a íntima semelhança de seus órgãos reprodutores,
2) a semelhança química, isto é, sua compatibilidade fisiológica, evidenciada pelo fato de que elas se cruzam, e
3) o fato de que os taxonomistas as colocam em seus tratados de taxonomia como gêneros em justaposição,
não é desarrazoado considerá-los como membros de uma simples espécie original. Esta mesma semelhança sempre existe entre dois indivíduos, tendo ocorrido a hibridação. Por esta razão muitos criacionistas mantêm a opinião de que existe a impossibilidade de hibridação, e que sempre existiu, entre membros de duas espécies diferentes.

Se os versos 11 e 12 declaram que as plantas foram formadas de tal maneira que
1) elas podiam reproduzir-se unicamente segundo a sua espécie, ou se
2) eles simplesmente declaram que as plantas foram feitas morfologicamente de acordo com o plano na mente do Criador,
a conclusão é essencialmente a mesma. De acordo com a opinião anterior, estes versos declaram que as plantas foram formadas de tal modo que cada vez que uma espécie se reproduzia, trazia indivíduos adicionais, semelhantes a ela. De acordo com o último ponto de vista, estes versos declaram que as plantas foram formadas em toda a multiplicidade de espécies que a terra já viu; isto é, eles não se referem diretamente ao comportamento reprodutivo das plantas mas simplesmente à sua morfologia. Todavia, a declaração da formação de diferentes espécies morfológicas refere-se indiretamente ao comportamento reprodutivo. Diferentes morfologias, particularmente com respeito às partes reprodutivas, surgem de propriedades fisiológicas diferentes e as indicam. Para ilustrar, a estrutura química da abóbora é diferente da da rosa, tão diferente que nenhuma fertilização ocorre quando se tenta a hibridação. Isto, pode-se supor, é devido à incompatibilidade entre eles. Assim, qualquer que seja o ponto de vista mantido, é possível que o fim lógico seja o mesmo. As plantas foram formadas de tal modo que nenhuma erradicação das espécies originais pode ser executada por hibridação, dando como resultado formas intermediárias. A ausência de formas intermediárias, isto é, “elos de ligação”, entre todas as espécies do Gênesis, fósseis ou vivas, constitui a maior prova de que a evolução das plantas não ocorreu.

IV. O QUARTO DIA

“E disse Deus: Haja luminares no firmamento dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam luminares na expansão dos céus, para
alumiar a terra. E assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Deus os pôs no firmamento dos céus para alumiar a terra. E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que era bom. E então veio a tarde e então veio a manhã – o dia quarto”. Gênesis 1:14-19.

A história da criação foi escrita para o homem. É razoável que o ponto de vista do narrador seja do lar do homem, a superfície da terra. Durante os primeiros três dias a luz estivera sobre a terra, mas unicamente de um modo débil, difuso, justamente como se filtrara através do teto de nuvens pesadas e contínuas. Mas agora, com plantas sobre a terra, a luz brilhante torna-se uma necessidade. O pormenor no qual são descritas as funções dos corpos celestes, do ponto de vista da nossa terra, é digno de atenção especial. Nenhuma oportunidade legítima é deixada para as intepretações pagãs, como agouros astrológicos.

Pode ser importante notar aqui que estes versos não dizem que Deus criou (bara) estes corpos celestes no quarto dia. A palavra usada aqui é asah, que é comumente interpretada como “empregar materiais já existentes; libertar de restrição”. A segunda significação, “libertar de restrição”, parece aqui muito apropriada. Na obra do segundo dia os pesados nevoeiros levantaram-se da superfície da terra mas aparentemente permaneceram como uma camada contínua de nuvem que foi penetrada pela difusa luz do sol, mas que interceptava qualquer vista dos corpos celestes. Parece lógico supor que o trabalho do quarto dia foi o rompimento desta contínua camada de nevoeiro, numa descontínua massa de nuvens, tornando os corpos celestes visíveis da terra. Estes corpos já existiam, mas desde esse movimento da dissolução do nevoeiro em nuvens descontínuas, eles começaram a servir a um propósito definido com referência à terra.

Não é fora do comum achar criacionistas que são da opinião de que as nuvens não existiam até que as tempestuosas nuvens se apresentassem no tempo do dilúvio. Todavia, Ellen G. White está inteiramente certa quando se refere à existência das nuvens na seguinte declaração com respeito a alguns dos objetos de estudo que atraíram a atenção de Adão e Eva: “A glória de Deus nos céus, os mundos inumeráveis em suas ordenadas revoluções, ‘o equilíbrio das grossas nuvens’, os mistérios da luz e do som, do dia e da noite, tudo estava patente ao estudo dos nossos primeiros pais”(24). Certamente a beleza de qualquer panorama é grandemente aumentada pela presença de nuvens descontínuas. Unicamente as nuvens tempestuosas é que foram desconhecidas até ao tempo do dilúvio.

O fato de que o verso 1 declara que Deus criou “os céus e a terra” (os céus são mencionados em primeiro lugar), e o fato de que a luz apareceu no primeiro dia, dão-nos base para supor que no primeiro dia se formou o nosso completo sistema solar. Nos nossos dias compreendemos como as órbitas celestes dos membros do nosso sistema solar são determinadas pela razão do seu movimento através do espaço e pelas atrações mútuas da gravitação. Este conhecimento leva-nos a concluir que os membros do nosso sistema, completo e delicadamente equilibrado, muito provavelmente vieram à existência ao mesmo tempo, no primeiro dia: – “Criou Deus os céus e a terra”. Então no primeiro dia Deus fez alguma coisa à massa escura do Sol que a levou a irromper na Sua presente glória de luz. Parte desta luz penetrou no denso nevoeiro que envolvia a superfície da terra e constituiu a luz do primeiro dia e dos dias sucessivos. No quarto dia a decomposição do nevoeiro em massas de nuvens fez com que se tornassem visíveis os discos do Sol e da Lua. Isto de igual modo desvendou a majestade do céu estrelado.

Ocasionalmente ouvimos o protesto de ser impossível para o Criador criar todos os corpos astronômicos a não ser de uma vez, por causa da interação gravitacional desses corpos. O pensamento é que o intrincado equilíbrio existente entre esses corpos é tão delicado que a adição de nosso sistema solar numa data posterior causaria perturbações tão sérias que resultariam em colisões e finalmente no caos. Verdadeiramente, em certo grau, cada corpo no universo afeta os outros corpos. Mas onde existe distância suficiente entre dois corpos, seu efeito real mútuo torna-se tão insignificante que pode ser considerado nulo. A força da gravitação opera inversamente de acordo com o quadrado da distância entre dois corpos quaisquer. Nosso sistema solar está cerca de três e meio anos-luz distante da estrela mais próxima, e seu efeito sobre esta estrela mais próxima não merece consideração quanto a sérias perturbações. Quão mais verdade é isto a respeito dos que estão além desta distância ou a uma distância de pelo menos 140 milhões de anos-luz da mais distante estrela já fotografada! Uma vez perguntei a um astrônomo meu amigo que efeito o acréscimo de nosso sistema solar teria sobre o resto do universo. Ele sorriu e respondeu: “Posso pensar em inúmeros lugares onde o nosso sistema solar poderia ter sido acrescentado ao nosso universo e o acréscimo não teria nenhum efeito sobre os corpos celestes já existentes”.

Por outro lado, a força da gravitação agindo entre as unidades de nosso sistema solar é tremenda. O Criador poderia ter mantido diretamente nossa Terra no espaço até o quarto dia e ter-lhe-ia fornecido luz direta; então no quarto dia teria suspenso o Sol no espaço para exercer estas funções. Mas a identidade dos dias da semana da criação, antes do disco solar tornar-se visível da Terra, com os restantes dias da semana, e a presença da luz desde o primeiro dia, indicam que o Criador formou o Sol ao mesmo tempo em que formou nossa Terra e fez com que ele se tornasse um corpo incandescente no primeiro dia. Que o Criador usualmente prefere manifestar Seu poder mantenedor na forma de “leis naturais” é o fato mais facilmente observado. A ostentação do Seu poder no nosso sistema solar mediante milagres é excepcional. O progresso da ciência natural mostra cada vez mais que isto é verdadeiro.

A expressão mais ou menos explicativa que declara que “Ele fez também as estrelas”, pode referir-se aos planetas, as “estrelas” de nosso sistema solar, isto é, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão; ou pode incluir também as estrelas mais distantes. Outros exemplos onde o autor faz declarações que são claramente parentéticas são Gênesis 2:24; 10:9; 26:33; 32:32. No versículo 1 a palavra shamayim, que é traduzida por “céu” em algumas versões, está na forma plural e devia ser lida “céus”. Do ponto de vista humano sabemos de três céus. No primeiro voam os pássaros (Jó 35:11) e as nuvens flutuam (I Reis 18:45). No segundo estão as estrelas (Deuteronômio 17:3). No terceiro, o céu dos céus, mora Deus (Daniel 4:26; S. Lucas 15:21) (25).

A criação do primeiro céu ocorreu durante a semana da criação, e também a parte do segundo céu que inclui os planetas de nosso sistema solar. Estes planetas são como verdadeiras “estrelas” para nós, como são os sóis de outros sistemas. Assim a referência aqui à criação das “estrelas” pode aplicar-se àquelas que foram realmente feitas durante a semana da criação, nossos planetas. Todavia, é possível que o autor do Gênesis desejasse nesta conexão lembrar ao leitor que o mesmo Deus que formou esta Terra de igual modo formou os inumeráveis corpos de todo o universo.

O fato de que muitas estrelas estão milhões de anos-luz distantes de nossa Terra e contudo estão espargindo sua luz sobre nós, demonstra aparentemente que existiram por muitíssimas vezes seis mil anos. Isto mostra que elas deviam ter sido formadas antes da semana da criação, a menos que Deus fizesse com que sua luz atravessasse o espaço num momento, em vez de alcançar o nosso planeta de modo natural. Tal premissa não se enquadra com tudo o que sabemos acerca de como Deus preferiu fazer os objetos da Sua criação. Neste ponto H. W. Clark disse com muita razão:

“Vamos sugerir de passagem que a idéia de que Deus criou estes sóis distantes, cada um completo com raios de luz já projetados através do espaço, se fosse aceita, destruiria toda a crença na regularidade das leis de Deus. Tudo que sabemos da maneira de Deus produzir luz ensina-nos que quando Ele faz um corpo tornar-se luminoso, raios de energia luminosa partem da fonte e não são postos em ação instantânea ao longo de todo o caminho do raio de luz. Deus opera de modos regulares, de acordo com leis definidas” (26) .

V. O QUINTO DIA

“E disse Deus: Sejam as águas cheias de enxames de almas viventes; e voem as aves através do firmamento dos céus. E Deus criou os grandes monstros marinhos, e todos os répteis com os quais as águas enxameiam, conforme a sua espécie; e toda ave de asas conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra. E então veio a tarde e então veio a manhã – o dia quinto”. Gênesis 1:20-23.

A palavra hebraica yam, traduzida aqui por “águas”, é aplicada a um oceano, mar, lago, lagoa, rio, regato, poço ou nascente. O termo yam inclui tudo isto.

Nossas versões estão incorretas na tradução: “Produzam as águas abundantemente”. Sharats sherets pode unicamente significar: “Sejam as águas cheias de enxames”. A origem dos animais aquáticos e alados não é revelada neste capítulo. É dito simplesmente que lhes foi ordenado aparecer na água e no ar, respectivamente. Todavia, em Gênesis 2:19 torna-se claro que os animais voadores originaram-se “saindo da terra” (27).

Em conexão com a formação dos animais aquáticos e voadores, a palavra nephesh, “alma vivente”, aparece pela primeira vez. De acordo com o ponto de vista bíblico as plantas não têm vida como os animais a têm. Unicamente os animais manifestam vida em “almas”, mas esta “alma” deve aparentemente ser considerada como nada mais que “aquilo que respira”. Comparados com as plantas, os animais eram algo de novo e distinto. Para a média dos homens um animal era um organismo que respirava, ao passo que uma planta não o fazia. Biologicamente tanto as plantas como os animais “respiram”, porque o protoplasma, quer da planta, quer do animal, deve constantemente receber oxigênio de fora, para que não morra. Mas para o propósito prático com o homem comum, um organismo que podia locomover-se de um lugar para outro, “respirar”, e mostrar ao menos um pequeno grau de inteligência, era distinto de uma planta.

Kanaph, verso 21, literalmente: “aves que voam”, usado no sentido mais amplo, como é aqui, sem dúvida inclui não somente os pássaros mas também todos os outros tipos de seres que têm asas, seja inseto, morcego ou répteis voadores.

O uso da expressão wayyibhra, “e Ele criou”, verso 21, parece confundir à primeira vista. Por que teria Deus feito as plantas e criado os animais aquáticos e os voadores? A palavra “criar” aqui é usada ao menos por duas razões. Primeiro, o verso 21 diz que Deus criou animais que enxameassem as águas, sem dizer que eles foram formados de qualquer material; portanto, foi usada uma forma de bara, criar. Segundo, bara é usado onde a idéia de novidade deve ser transmitida (ver Isaías 41:20; 48:6 e 7; 65:17; Jer. 31:22) (28). Trazer à existência criaturas tão notáveis, que respiram e são animadas e podem ir aonde desejam, é digno do termo bara.

A palavra tanninim, verso 21, que é traduzida por “baleias” em algumas versões, inclui todos os grandes animais do mar. A palavra vem de uma raiz que significa “de considerável comprimento”. Isto incluiria não somente os grandes peixes, mas também baleias, répteis aquáticos e anfíbios.

O termo hebraico romeseth, que foi traduzido por “réptil”, significa literalmente “deslizar ou rastejar”. A expressão nos versículos 20 e 21, significando “enxamear”, certamente não deixa terreno para supor que de cada espécie apareceu um par somente. Todavia, embora cada animal aquático e cada pássaro fosse aparentemente representado por numerosos indivíduos, foi-lhes ordenado que se multiplicassem até que todos os habitats ao redor da terra estivessem ocupados.

Os versos 20-23 destacam o mesmo fato que foi apresentado nos versos 11 e 12; isto é, que os animais aquáticos e todos os animais que voam foram formados segundo a sua espécie, como foram as diferentes plantas. Que eles foram moldados em distintas espécies parece ser um ponto muito importante. Todos os animais aquáticos e voadores, sejam estrelados ou moluscos, esponja ou ouriço do mar, beija-flor, medusa ou baleia, borboleta ou pterodáctilo – todas as espécies foram modeladas de acordo com suas respectivas diferenças morfológicas distintas. Nenhum terreno é deixado para qualquer suposição de que estas espécies distintas tivessem evoluído de outras espécies que eram de morfologia mais simples.

A ORIGEM DOS ANIMAIS TERRESTRES
“SEGUNDO A SUA ESPÉCIE”

O SEXTO DIA

a. A Formação de Todos os Animais Terrestres

“E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie, animais domésticos e répteis, e bestas feras da terra conforme a sua espécie, assim foi. E Deus fez as bestas feras da terra conforme a sua espécie, e os animais domésticos conforme a sua espécie, e os répteis da terra conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom.”
Gênesis 1:24 e 25.

Aqui como no caso das plantas do terceiro dia, temos uma criação imediata. Em vez de chamar diretamente à existência as criaturas terrestres por meio de Sua palavra, o Criador capacitou a terra para produzí-las. O “porquê” podemos não perceber, mas sabemos que elas vieram do pó e devem voltar ao pó. A ordem à terra é totse, “fazer surgir de”. Esta ordem é inteiramente idêntica à declaração do verso 12, que a terra produzisse as plantas. As criaturas que apareceram no sexto dia são descritas com o mesmo título geral que as formas que voam e os animais aquáticos. Elas são chamadas nephesh, “almas viventes”, porque a coisa que anima, a alma, é o seu aspecto preeminente. Estas formas terrestres são nomeadas em três classes. Primeiro são os behemah, ou “animais domésticos”, que são frequentemente chamados de gado. A palavra behemah vem de uma raiz que tem a significação de “ser mudo”. Isto, todavia, não serve para estabelecer certos grupos à parte, porque a todos os animais falta o poder da fala articulada. O segundo grupo são os remes, palavra tirada de uma raiz que significa “mover-se velozmente”, ou “rastejar”. A tradução “répteis” é demasiadamente estreita, porque não deixa lugar para os maiores répteis e anfíbios da terra. Poderia parecer que remes incluisse tudo o que se move sobre a terra, como serpentes, lagartixas e aranhas. A terceira classe é chayyath haarets, ou “bestas feras da terra”, nome apropriado por causa da sua geral liberdade de movimento na terra. Nunca esta classificação pretendeu satisfazer os biólogos taxonomistas, mas para as pessoas não treinadas cientificamente ela é satisfatória, pois dá um quadro geral, variado, que é suficiente para lembrar todos os tipos de animais terrestres. Nenhuma menção é feita aqui de uma bênção pronunciada como se descreve no verso 22. As inferências naturais são que tal bênção foi certamente dada; e fica-se a pensar se Moisés, na sua pressa para registrar a origem do homem no verso seguinte, não deixou passar desapercebida qualquer declaração acerca disto.

b. “Segundo a sua Espécie”

O fato de que todo animal foi feito “segundo a sua espécie” é fortemente destacado mais uma vez nos versos 24 e 25. Isto parece ser um fato da maior importância. É sem dúvida de proveito para nós perguntar a nós mesmos novamente: “Qual é a significação especial desta declaração?”

Em sua interpretação do significado da frase “segundo a sua espécie” dividem-se os criacionistas em duas escolas, a saber:
1) os que são da opinião de que só se refere à estrutura anatômica, sem nenhuma barreira fisiológica existente contra a hibridação entre as espécies, isto é, que o cruzamento pudesse ocorrer onde fosse mecanicamente possível; e
2) os que são de opinião de que a frase se refere a ambos os característicos anatômicos e fisiológicos, com particular destaque dos últimos.

Os membros da primeira escola dizem-nos que a frase “segundo a sua espécie” não faz nenhuma referência ao comportamento reprodutivo. A isto, os membros da segunda escola replicam que a frase nada diz acerca da morfologia. Na verdade, será observado por um leitor imparcial que a frase não faz menção nem de morfologia, nem de fisiologia. O estudante deve ser guiado em grande parte por sua opinião pessoal para chegar à sua conclusão.

A revelação não dá ao estudante nenhuma ajuda específica na compreensão do significado da frase. As únicas citações da Escritura que contêm a expressão são as que se encontram em Gênesis 1:11, 12, 21, 24 e 24; 6:20; 7:14; Levítico 11:14, 15, 16 e 19; Deuteronômio 14:13, 14, 15 e 18; e Ezequiel 47:10. Estes textos nos dizem que Deus formou as plantas e os animais “segundo a sua espécie”; a terra e as águas produziram “segundo a sua espécie”; os animais da terra entraram na arca “conforme a sua espécie”; eles eram limpos ou imundos “conforme a sua espécie”; e finalmente, os peixes da nova terra serão “de acordo com suas espécies”. Vistas como um todo, essas referências não excluem caracteres morfológicos nem fisiológicos.

Qual é o testemunho da natureza com respeito às espécies? Um dos fatos mais óbvios que impressiona o estudante da natureza é o da descontinuidade das espécies de plantas e animais. As rosas, lírios aquáticos, carvalhos e plátanos; esquilos, lobos, veados e macacos têm as suas peculiaridades distintivas. Não há formas intermediárias. Os paleontólogos contam-nos que as mesmas unidades distintas destacam-se claramente no registro fóssil, com ausência total de elos de ligação (29). Para os criacionistas isto significa que no tempo do dilúvio, cerca de quarenta e três séculos atrás, viviam sobre a terra as mesmas espécies de animais que hoje vivem. Assim o testemunho da natureza é que espécies de animais morfologicamente distintas existiram na terra desde antes do tempo em que ela foi inundada por um dilúvio universal. À luz do Gênesis, parece razoável concluir que estes organismos distintamente diferentes têm de ser “espécies” que foram criadas no começo. Este fato da descontinuidade morfológica parece suprir-nos evidência real de que a declaração da formação de organismos “conforme as suas espécies” deve referir-se também a suas morfologias basicamente diferentes. Todas as diferenças anatômicas entre as rosas e as maçãs, os cães e os gatos, o macaco e o homem, existiram desde o aparecimento dos organismos. Esta é a antítese direta da evolução. O fato da possibilidade da classificação dos organismos hoje é testemunha da verdade do Gênesis neste ponto. Quaisquer mudanças que se acharam necessárias no campo da classificação têm sido devidas a diferenças nas opiniões dos taxonomistas e não ao aparecimento de espécies morfologicamente novas.

Para obter uma concepção mais plena da significação da frase “conforme a sua espécie”, voltemos mais uma vez à natureza. De mãos dadas com o fato da descontinuidade morfológica está o fato da reprodução “conforme a sua espécie”. Isto nos é tão familiar que algumas vezes deixamos passar desapercebida sua importância e significação. Do ovo de patas obtemos patos; da semente de abóboras brotam aboboreiras; e quando uma vaca dá cria, podeis observar que será sempre um bezerro.

Quanto à reprodução ter sido ou não sempre “conforme a sua espécie”, não somos deixados inteiramente a conjecturar. O fato de que a descontinuidade morfológica existiu na natureza desde o dilúvio do tempo de Noé e continua no mesmo modelo básico até hoje, é prova muito real de que os organismos devem ter-se estado reproduzindo “conforme suas espécies” desde o seu aparecimento. A ausência total de casos evidentes de híbridos entre espécies tanto nas que percorrem a terra hoje como nas que existem entre os fósseis, demonstra além disto que a hibridação das espécies foi e é aparentemente impossível.

Argue-se algumas vezes, que em tempos atrás, quando o protoplasma era mais jovem e vigoroso, ao ser recém-formado pelo Criador, seria possível o cruzamento das espécies embora hoje não o seja. A resposta do fato científico aqui é que entre os animais soterrados pelo dilúvio não é encontrada confusão de formas que teria ocorrido se as espécies se hibridassem. As espécies vivas têm seus ancestrais bem destacados entre os fósseis, ancestrais que possuem o mesmo padrão morfológico básico que seus descendentes atuais.

Fósseis tais como o Archaeopteryx, ou pássaro lagarto, que não têm representantes vivos, podem ser considerados como híbridos entre duas espécies. Mas não deve passar desapercebido que é igualmente lógico presumir que o Archaeopteryx representa aquele grupo de espécies originalmente criadas, que se extinguiram por ocasião do dilúvio. Não é somente lógica esta última conclusão mas também está em harmonia com o comportamento reprodutivo conhecido – pássaros e répteis não são capazes de cruzamento hoje em dia. Não há um fragmento de evidência real que torne isto necessário, ou que mesmo sugira fortemente, que espécies básicas fossem uma vez capazes de hibridação se quisessem.

Assim, à luz dos fatos conhecidos, que focalizam a expressão bíblica “conforme a sua espécie”, achamos a descontinuidade anatômica no presente e no passado, indicando que as diferenças morfológicas, usadas na classificação dos organismos, estão evidentemente incluidas; e com igual certeza manifestada na impossibilidade presente das espécies se cruzarem e na evidência dos fósseis de que não há nenhuma prova real de que esse cruzamento de espécies ocorresse justamente antes do dilúvio; e concluimos que diferenças fisiológicas, que evitaram o cruzamento das espécies ou sua reprodução de qualquer outro modo senão de acordo com suas espécies, são igualmente incluidas na frase.

Argüir que a expressão “conforme a sua espécie” se relacione inteiramente com a morfologia e nem mesmo sugira comportamento reprodutivo é ignorar totalmente o mecanismo na natureza pelo qual as estruturas anatômicas se desenvolvem. Para surgir qualquer estrutura anatômica no processo de desenvolvimento do ovo fertilizado para o estado adulto, devem primeiro estar presentes certas unidades hereditárias agindo como diretrizes no desenvolvimento do corpo. Portanto, dizer que plantas e animais foram feitos “conforme a sua espécie” é dizer em outras palavras que cada um foi formado com seu próprio equipamento hereditário. E fatos científicos mostram-nos que equipamentos hereditários basicamente diferentes surgem de protoplasmas tão diferentes quimicamente, que são incapazes de cruzamento. Não podemos estribar-nos em fatos naturais e concluir que “conforme a sua espécie” compreenda unicamente característicos fisiológicos. Isto evidentemente inclui todos aqueles mecanismos pelos quais o Criador executou a criação da assombrosa variedade de modelos básicos e os processos pelos quais estas diferenças são continuadas.

Parece ser muito lógico supor que, se o Criador Se aplicou em fazer a multiplicidade de diferentes modelos morfológicos básicos, Ele pretendia que persistissem por todo o tempo que a terra durasse. Parece-nos que um sábio obreiro estabeleceria seus modelos fundamentais de tal modo que eles não pudessem apagar-se por meio da hibridação. Com tudo isso, repetimos a pergunta: “Intentaria Deus que os organismos continuassem nos modelos básicos que Ele criou para depois fazê-los fisiologicamente de tal modo que todas as espécies se hibridassem onde fosse mecanicamente possível, ou fez cada espécie quimicamente diferente de todas as outras de modo que o seu cruzamento fosse impossível?”

A presciência de Deus habilitou-O a olhar adiante e ver que Satanás se ergueria e se empenharia por todos os modos para destruir a ordem e a perfeição do trabalho de Deus. Quando estudamos a presente complexidade do mundo biológico vemos muita evidência de que Deus formou os organismos para funcionarem perfeitamente no estado edênico e também os fez de tal modo que eles pudessem tornar-se adaptados “naturalmente” a viver sob o reino dos dentes e das garras, que surgiu com a entrada do pecado. É possível que estruturas que podem ser ilustradas pelas glândulas venenosas das serpentes, os ferrões dos insetos himenópteros, as mandíbulas dos mosquitos, percevejos, etc., e mesmo a estrutura das pulgas e alguns outros parasitos, foram possuidas por esses animais no estado original e foram postos a uso diabólico somente depois da entrada do pecado. Na esfera espiritual Deus tomou providências para uma emergência tal como a entrada do pecado. Não é razoável supor que Ele tomasse semelhantes providências no reino natural?

Estou persuadido de que quando Deus formou as plantas e os animais “conforme a sua espécie”, Ele os dotou de protoplasma quimicamente diferente, tornando-os incapazes de cruzamento, mesmo quando manipulados e dirigidos pelo mais sábio demônio. Em outras palavras, Deus não fez os organismos de tal modo que eles pudessem cruzar-se, dizendo-lhes então: “Agora não vos hibrideis”. Isto podia ser dito a seres racionais como o homem, mas não às plantas e animais que não têm o poder da razão e da escolha. O comportamento reprodutivo das plantas e animais é hoje tal que indica que Deus os formou no princípio de tal modo que os protoplasmas de diferentes espécies fossem e ainda sejam incompatíveis. As espécies básicas originais têm persistido desde o Éden, e isto ocorreu unicamente porque eram incapazes de ser erradicadas por cruzamento.

Alguns supõem que esta incompatibilidade se desenvolveu como resultado da degeneração do protoplasma depois da criação. Quer dizer, o cruzamento das espécies pode ter sido possível, por exemplo, até o dilúvio; mas impossível de lá para cá. Todavia, creio que é mais razoável supor que quando os protoplasmas estavam mais perto de sua criação eles mostrariam suas diferenças químicas fundamentais mesmo mais marcadamente do que agora, depois de sessenta séculos de intentos de Satanás para perverter, confundir e degenerar.

É característico dos biólogos criacionistas dizer que hoje é impossível designar as espécies do Gênesis, com exceção da espécie humana. Os biólogos criacionistas têm naturalmente muito que dizer acerca das espécies do Gênesis. Aos olhos dos evolucionistas esta situação é absurda. Eles dizem aos criacionistas que estes sustentam que todas as espécies de organismos foram criadas como unidades distintas e que os criacionistas se apressam em dizer: “Mas nós não podemos ter nenhuma idéia do que estas unidades sejam hoje em dia”. Os evolucionistas arguem que, se tais unidades básicas importantes existiram uma vez, e se não há evolução das espécies, então os criacionistas deviam apontar estas unidades na natureza hoje ou cessar de falar delas. Embora os evolucionistas não possam apontar os elos de ligação entre duas espécies, nem mesmo em um único caso, contudo penso que eles têm bastante razão aqui em suas exigências aos criacionistas. Além disso, creio que estas unidades básicas, as espécies do Gênesis, podem ser esboçadas na maior parte dos casos, mesmo em nossos dias.

Temos estudado tanto a lógica da criação de espécies que se não podem cruzar, como o fato da existência, na natureza, de certos grupos distintos de organismos, do tempo do dilúvio até os nossos dias. Submeto a tese de que estas unidades discretas, que têm evidentemente permanecido distintas uma da outra, desde a criação, porque não podem hibridar-se, são as espécies do Gênesis. Se estou certo aqui, temos para nosso uso duas experiências concretas de laboratório, pelas quais podemos determinar as espécies do Gênesis; isto é:
1) o teste morfológico, a saber, a semelhança dos modelos anatômicos básicos, que nas plantas se aplicariam principalmente às suas estruturas reprodutivas, e
2) o teste fisiológico, isto é, a compatibilidade reprodutiva, ao menos na extensão de que a verdadeira fertilização do ovo se efetua resultando os primeiros estágios do desenvolvimento embriológico, mesmo no caso de ocorrer a morte prematura.

Em vista do fato evidente de que a morfologia é simplesmente uma manifestação exterior, algo variável, devido às influências do meio, do modelo fisiológico básico do organismo, isto é, de seu complemento de unidades hereditárias ou genes, parece razoável que os caracteres fisiológicos quanto à reprodução, deveriam ter precedência sobre os caracteres morfológicos na determinação da espécie do Gênesis. Em outras palavras, embora suas morfologias sejam muito semelhantes, e ainda, se dois organismos dão cruzamento estéril, sou da opinião de que, exceto em situações incomuns, surgidas de mutações, os organismos são representantes de duas espécies básicas diferentes.

Para ilustrar o que disse aqui, o homem e o chimpanzé são de notável semelhança morfológica. Um manual para a dissecação anatômica do esqueleto, sistema muscular, nervoso e digestivo, e outros sistemas de órgãos do homem, pode também ser usado em todas as suas minudências no corpo do chimpanzé. Não obstante, o homem e o chimpanzé, tanto quanto o conhecimento científico abrange, são e sempre foram reprodutivamente incompatíveis, ao se tentar o seu cruzamento. Nenhum cruzamento de homem com macaco é conhecido da ciência do passado ou do presente. Estamos muito certos de que o homem é uma espécie do Gênesis e que o chimpanzé é um representante de outra espécie do Gênesis. Estamos certos de que não pode haver cruzamento entre eles. Creio que este é um exemplo típico do comportamento reprodutivo quando quaisquer duas espécies básicas são envolvidas.

Quando estudamos, na natureza, exemplos de híbridos produzidos realmente, achamos que em cada exemplo os que são capazes de cruzamento são bastante semelhantes morfologicamente, para facilmente ser concebidos como sendo membros de uma única espécie básica. O cruzamento tem-se operado pelo menos até o começo do desenvolvimento embriônico nos seguintes animais comuns: o leão e o tigre; cavalo, asno, zebra e onagro; cão, lobo, chacal, coiote, e algumas raposas; rato e camundongo; ovelha e bode; galinha e galinha de Angola; galinha e peru; touro, zebu, iaque, bisão, gado da Índia e o africano; cisne e ganso; e algumas espécies de andorinhas. Entre as plantas são conhecidos interessantes cruzamentos como entre o trigo e o centeio, fumo selvagem e petúnia, amoras silvestres e framboeza, framboeza e morango, e rabanete e repolho.

Alguns criacionistas, na sua filosofia, não desejam aceitar dois indivíduos em uma única espécie, quando diferem tanto na sua morfologia como rabanete e repolho. Todavia, dever-se-ia ter em mente que, de acordo com as melhores informações disponíveis, o repolho, a couve-de-Bruxelas, a couve-flor e outras têm sido desenvolvidas de uma só planta, o repolho selvagem, Brassica oleracea, da Europa. Evidentemente são membros de uma só espécie. E se plantas com tão diversas morfologias vegetativas são membros de uma só espécie, então parece muito razoável que o rabanete com uma flor aproximadamente idêntica possa ser também membro da espécie do repolho, e por esta razão pode cruzar-se com ele.

É à luz destas conhecidas variações morfológicas de um só ancestral, algo diferente da sua anatomia vegetativa, mas evidentemente idênticas fisiologicamente, que sustento que o teste de reprodução é válido para ser aplicado hoje em dia para determinar os membros de uma espécie original. Deus “de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra”. (Atos 17:26). Sabemos que o homem constitui uma espécie única do Gênesis. Ele é caracterizado em toda a sua variação morfológica por ter um único tipo de protoplasma, que torna possível o cruzamento de toda e qualquer raça de pessoas. Parece lógico presumir que a compatibilidade fisiológica que caracteriza a espécie humana é de igual modo um característico de todas as espécies originais.

Seria bom lembrar-nos aqui de que há exceção dentro da espécie humana, casos em que os indivíduos são estéreis no acasalamento, mas se tornam férteis em acasalamento com outro indivíduo. Da mosca das frutas, a Drosophila melanogaster, o geneticista russo Kozhevnikov desenvolveu uma espécie de mosca fértil, mas que é estéril quando o macho faz cruzamento com os ancestrais (30). Estes indivíduos são certamente membros de uma única espécie, mas ainda são estéreis no cruzamento.

Tais casos ilustram o fato de que, ocasionalmente, os membros de uma espécie podem ser estéreis, e nestes casos o teste de reprodução deixaria de ser válido. Todavia, essas situações são, creio eu, exceção à regra geral.

O estudo de hibridação revela alguns fatos interessantes com respeito ao número de cromossomos no núcleo das células dos indivíduos que são de cruzamento fértil. O núcleo de todas as células do cavalo contém dezenove pares de cromossomos. Os do asno contêm trinta e três pares. Entretanto, apesar desta grande discrepância no número dos cromossomos, sabemos que estes dois animais são susceptíveis de cruzamento e produzem um híbrido muito vigoroso, a mula. Embora esta descendência seja geralmente estéril, conhecem-se diversos casos de mulas férteis (31). Esta situação de cruzamento fértil, embora o número de cromossomos seja diferente, não é incomum nas variedades da mesma espécie de planta. Isto é ilustrado no gênero Crepis, hierácio, onde os números de diferentes espécies, tais como 6, 8 e 10, são acompanhados de diferentes morfologias (32), e no gênero Poa, onde as famílias de uma espécie, P. alpina, têm os números 28, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 41, 45, 49, 52, 64, 66, 67, 72, 73, e 74 (33).

Em muitos gêneros de plantas e em relativamente poucos animais, a metade (haplóide) do número de cromossomos das espécies de um gênero forma uma série de simples múltiplos do número mínimo ou básico, por exemplo, 7, 14, e 21, nas espécies de trigo. Parece muito provável que tais casos se tenham desenvolvido por métodos naturais, após a Criação. Em outros exemplos, como do cavalo-asno, a diferença no número dos cromossomos sugere que não houve nenhum ancestral consangüíneo comum. Todavia, o fato da fertilidade de cruzamento indica protoplasmas muito semelhantes, e creio eu, indica serem membros da mesma espécie.

Número idêntico de cromossomos não é, aparentemente, indicação de tratar-se de uma mesma espécie. Para ilustrar: o chimpanzé e o homem, ambos, têm vinte e quatro pares de cromossomos nas suas células, e algumas espécies de hidras, ciclopes, afídeos, escaravelhos e moscas, todos têm seis como um número haplóide. E ainda, o rato e o boi têm o número haplóide de dezoito cromossomos (34). Hernandes e Darlington relataram meio número de cromossomos de doze como o ponto modal com um total de 391 espécies diferentes de uma lista de 2.413 diferentes espécies de plantas que dão flor (35). Dir-se-ia assim que o número dos cromossomos, como tal, não tem significação para determinar os membros em uma espécie particular.

Arrematando este breve estudo das espécies do Gênesis (num livro anterior, que está esgotado, sugeri o termo baramin para estas unidades originais, tirado das palavras hebraicas bara, “criado”, e min, “espécie” (36)), delinearei minha concepção desta unidade básica na natureza como segue.

Havia dois grupos gerais de unidades originais:
1) a espécie monotípica, e
2) a espécie politípica.

Na primeira não havia variedades originais, simplesmente uma única unidade fisio-morfológica. O homem poderia servir de ilustração aqui. Tal baramin seria inteiramente fora do comum; de fato, creio ser possível que o homem tenha constituido o único baramin monotípico. Os outros animais e também as plantas foram formados em baramins politípicos. Em tais casos estas unidades foram feitas de duas ou mais variedades originais. Para ilustrar, a espécie cavalar possivelmente consistiu da variedade semelhante ao cavalo (dezenove pares de cromossomos) e a variedade de asnos (trinta e três pares de cromossomos). E ainda, a espécie canina possivelmente consistiu de uma variedade original semelhante à raposa, uma variedade semelhante ao cão e uma variedade semelhante à hiena. Estes cães modernos, com a possível exceção da hiena, todos são susceptíveis de cruzamento fértil (37).

Os protoplasmas das variedades de cada baramin eram do mesmo tipo geral – tipo que diferia suficientemente na sua química para evitar qualquer cruzamento de espécies. Todavia os protoplasmas de uma espécie eram suficientemente semelhantes para permitir hibridação, ou amálgama, de suas variedades. É provável que os híbridos fossem comumente estéreis; ou sua prole, através da segregação de séries completas de cromossomos, na formação de gametas (células germinativas), reverter-se-ia a uma ou outra variedade original. Um caso em que essa segregação de séries inteiras de cromossomos em formação de gametas evidentemente ocorre, encontra-se nos raros casos de mulas férteis que geram potros férteis, quando enxertadas por garanhões, e mulos estéreis quando enxertadas por jumentos (38), (39). Tal mecanismo tenderia, em caso de hibridação, a preservar a pureza das variedades originais de cada baramin. Entretanto, suponho que naquele estado original as variedades de uma espécie fossem distribuidas sobre a superfície da terra de tal modo que cada variedade de uma espécie fosse isolada de outras variedades da mesma espécie. Muitas espécies ocupariam as mesmas áreas, mas as variedades originais de uma só espécie formariam um descontínuo mosaico na sua distribuição geográfica. Como se poderiam cruzar as variedades de uma espécie? Simplesmente porque todos os membros de um baramin foram criados com protoplasmas suficientemente semelhantes para que o cruzamento se tornasse possível. Se as variedades originais de uma espécie tivessem contato mútuo, na sua distribuição no estado original, é possível que o cruzamento não ocorresse por razões psicológicas, isto é, não haveria desejo de acasalar-se a não ser com membros de sua variedade particular.

Que razões tenho eu para delinear tal quadro das espécies criadas?

São as seguintes:

1) Razões lógicas – Seria absurdo formar plantas e animais conforme a sua espécie e ainda fazê-los morfológica e fisiologicamente tais que pudessem operar cruzamento e imediatamente apagar de todo o modelo original.

2) Razões fisio-morfológicas – A existência hoje de grupos biologicamente descontínuos. Todas as formas que podem hibridar hoje ou que já se tem conhecido como hibridantes são sempre suficientemente semelhantes para serem classificadas em um simples frupo básico taxonômico.

3) Razões paleontológicas:

a) O registro dos fósseis mostra a mesma evidente descontinuidade de grupos, e entre esses grupos distintos podem ser reconhecidos os ancestrais das espécies que vivem hoje, possuindo os mesmos caracteres morfológicos distintos que mostram os seus descendentes.

b) A ausência de qualquer forma fóssil que deva ser considerada híbrida entre as espécies.

O criacionista crê que quando os cientistas evolucionistas reconhecerem estes grupos isolados fisiologicamente, eles terão descoberto um dos mais evidentes, e ao mesmo tempo mais importantes fatos no mundo dos seres vivos. Finalmente, a demarcação dessas unidades básicas na natureza e a proclamação de sua identidade com as espécies do Gênesis livrarão o criacionista do estigma de pregar uma filosofia da ciência para a qual não pode oferecer nenhuma prova concreta na natureza.

(Na edição revista do livro Evolution, Creation and Science, do autor, à página 179, está um diagrama ilustrando a explanação da espécie original contida neste capítulo. O capítulo 10 desse livro deveria ser lido para maior clareza deste conceito).

(1) SKINNER, John. International Critical Commentary (Genesis), p. 11.
(2) Êxodo 20:9-11 – “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho … porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou”.
Êxodo 31:17 – “Entre Mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento”.
Salmo 8 – “Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o Teu nome! … Quando contemplo os Teus céus, obra dos Teus dedos, e a Lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? … Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico é em toda a terra é o Teu nome”.
Salmo 104 – “Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Senhor, Deus meu, como Tu és magnificente: vestido de glória e majestade, coberto de luz como de um manto. Tu estendes o céu como uma cortina … lançaste os fundamentos da terra, para que ela não vacile em tempo nenhum. … Puseste às águas divisa que não ultrapassarão. … Que variedade, Senhor, nas Tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das Tuas riquezas. … Exulte o Senhor por Suas obras! … Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Aleluia!”
S. Mateus 19:4-6 – “… Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher? …”
II S. Pedro 3:5 – “Porque, deliberadamente, esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água pela palavra de Deus”.
Hebreus 4:4 – “Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera”.

(3) Romanos 4:17 – “… o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem”.
Hebreus 11:3 – “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem”.
Salmo 33:6 e 9 – “Os céus por Sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de Sua boca, o exército deles”. “Pois Ele falou e tudo se fez; Ele ordenou, e tudo passou a existir.”
Amós 4:13 – “Porque é Ele quem forma os montes, e cria o vento, e declara ao homem qual é o seu pensamento … Senhor dos exércitos, é o Seu nome.”
(4) LEUPOLD, op. cit., pág. 46.
(5) S. João 1:1-3 – “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e, sem Ele, nada do que foi feito se fez”.
Colossenses 1:16 – “Pois nEle foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis … Tudo foi criado por meio dEle e para Ele”.
I Coríntios 8:6 – “Todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por Ele”.
(6) Jó 38: 19-20 – “Onde está o caminho para a morada da luz? E quanto às trevas, onde é o seu lugar, para que as conduzas aos seus limites e discirnas as veredas para a sua casa?”
(7) Isaias 66:23 – “E será que de uma Festa da Lua Nova à outra e de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante Mim, diz o Senhor”.
(8) Êxodo 16:22-30 – “Respondeu-lhes ele: Isto é o que disse o Senhor: Amanhã é repouso, o santo sábado do Senhor; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdea cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobrar, separai, guardando para a manhã seguinte. E guardaram-no até pela manhã seguinte, como Moisés ordenara; e não cheirou mal, nem deu bichos. Então disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto o sábado é do Senhor; hoje não o achareis no campo. Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá. Ao sétimo dia, sairam alguns do povo para o colher, porém não o acharam. Então disse o Senhor a Moisés: Até quando recusareis guardar os Meus mandamentos e as Minhas leis? Considerai que o Senhor vos deu o sábado; por isso, Ele , no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique onde está, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. Assim descansou o povo no sétimo dia”.
(9) BUHL, Frants. Handwörterbuch über das Alte Testament.
(10) BROWN, DRIVER, e BRIGGS. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament.
(11) KOENIG, Eduard. Wörterbuch zum Alten Testament.
(12) SKINNER, op. cit., pág. 21.
(13) DILMANN, August. Die Genesis.
(14) II Reis 19:26 – “… tornaram-se como a erva do campo, e a erva verde, e o capim dos telhados …”
(15) Isaias 37:27 – “… tornaram-se como a erva do campo, e a erva verde, e o capim dos telhados”.
(16) Gênesis 3:18 – “… e tu comerás a erva do campo”.
(17) Deuteronômio 11:15 – “Darei erva no vosso campo aos vossos gados …”
(18) MORGAN, Thomas Hunt, Evolution and Adaptation, p. 43. Macmillan, (citado com a permissão do autor).
(19) AUSTIN, H. Clark, The New Evolution – Zoogenesis, p. 100-105; SIMPSON, op. cit., p. 99, 105 e 106.
(20) LANGE,J. P., A Commentary on the Holy Scriptures, vol. I, p. 160, sobre Gênesis 1:11 e 12.
(21) PEAK, A. S., A Commentary on the Bible, p. 137, sobre Gênesis 1:9-13.
(22) EXCELL, J. S., The Preacher’s Homiletic Commentary, Genesis, p. 17, sobre Gênesis 1:9-13.
(23) LEUPOLD, op. cit., p. 67 e 68, sobre Gênesis 1:11.
(24) WHITE, Ellen G., Patriarcas e Profetas, p. 44. Casa Publicadora Brasileira.
(25) Jó 35:11 – “… nos faz mais sábios do que as aves dos céus”.
I Reis 18:45 – “Dentro em pouco, os céus se enegreceram, com nuvens e vento, e caiu grande chuva”.
Deuteronômio 17:3 – “Que vá e sirva a outros deuses, e os adore, ou ao Sol, ou à Lua, ou a todo o exército do céu …”
Daniel 4:26 – “… depois que tiveres conhecido que o céu domina.”
S. Lucas 15:21 – “… Pai, pequei contra o céu e diante de ti …”
(26) CLARK, Harold. Creation Speaks, p. 22.
(27) Gênesis 2:19 – “Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus, trouxe-os ao homem …”
(28) Isaias 41:20 – “Para que todos vejam e saibam … que o Santo de Israel o criou”.
Isaias 48:6 e 7 – “… Desde agora te faço ouvir coisas novas e ocultas, que não conhecias. Apareceram agora e não há muito, e antes deste dia delas não ouviste …”
Isaias 65:17 – “Pois eis que crio novos céus e nova terra …”
Jeremias 31:22 – “… Porque o Senhor criou coisa nova na terra …”
(29) SIMPSON, George Gaylord. Tempo and Mode in Evolution, pp. 99, 105, 106.
(30) DOBZHANSKY, Theodosius. Genetics and the Origin of Species, pp. 302-303.
(31) Yearbook of Agriculture, 1936, pp. 184-185.
(32) DOBZHANSKY, Theodosius, op. cit. p. 132.
(33) MUNTZING, A. Further Studies and Apomixis and Sexuality in Poa, Hereditas, 1940, vol. 26, pp. 115-190.
(34) WILSON, E.B. The Cell in Development and Inheritance, pp. 855-865.
(35) DOBZHANSKY, Theodosius, op. cit. p.225.
(36) MARSH, Frank L. Fundamental Biology, 1941, p. 100.
(37) MAYR, E. Systematics and Origin of Species, p. 259.
(38) Yearbook of Agriculture, 1936, pp. 184-185.
(39) SINNOTT, E.W., e DUNN, L.C. Principles of Genetics, p. 279.

Artigo publicado naFolha Criacionista 52

Autor


  • Ph. D. em Biologia pela Universidade de Nebraska, foi um dos fundadores do Geoscience Research Institute. Residia em Berrien Springs, Michigan até seu falecimento no ano passado. Este artigo corresponde ao capítulo 13 do seu livro “Estudos sobre Criacionismo”, página 194 a 217, edição sem data, da Casa Publicadora Brasileira, Santo André, S. P.