A teoria da condensação espontânea de nuvens interestelares é criticada sob diversos pontos de vista. São apresentados cálculos envolvendo entropia e forças, cujos resultados indicam que tal transformação seria contrária aos processos da natureza. O círculo vicioso inerente aos métodos de datação astronômica é discutido, juntamente com uma amostragem das diversas discrepâncias existentes nas idades apresentadas na literatura corrente. A conclusão deste estudo é que tais métodos de datação são inteiramente destituídos de valor científico, pois envolvem suposições relativas à história evolutiva do objeto a ser datado. Outros tópicos discutidos incluem as relações de série entre as estrelas e problemas de formação dos planetas e galáxias.

Hoje em dia as seguintes doutrinas são ensinadas quase universalmente como fatos:

  1. Todos os corpos celestes condensaram-se de nuvens de matéria primordial como o Hidrogênio. (Quando isso é considerado em conjunto com as supostas transformações biológicas evolutivas, conclui-se que as plantas, os animais e as pessoas são nada mais nem menos do que descendentes de mero gás Hidrogênio).
  2. Tais transformações “criativas” têm estado em execução durante bilhões de anos, e continuam ainda hoje em dia.
  3. Essas transformações são totalmente espontâneas e auto-ordenadas, deixando de lado qualquer necessidade de um Criador.
  4. Vários tipos de estrelas, tais como as gigantes vermelhas e as anãs brancas, mantêm entre si uma relação de série semelhante aos estágios de larva, pupa e adulto na metamorfose dos insetos. Um tipo é suposto evoluir para outro ao longo de milhões ou bilhões de anos. Nega-se assim ao Criador a prerrogativa de estruturar variedade ou diversidade no universo original. Cada estrela, alega-se, surgiu como uma nuvem não diferenciada, e passou inexoravelmente pelos estágios prescritos.

Pouca percepção espiritual é necessária para verificar que há algo errado na teoria de que os seres humanos evoluíram a partir do Hidrogênio mediante transformações naturais. Mesmo assim, é esse somente um dos muitos problemas, tanto científicos como escriturísticos, que devem ser enfrentados ao se aceitar a estrutura básica da evolução estelar. Um bom número desses problemas será discutido neste artigo.

Devemos estar atentos para o que seja sólida evidência experimental por um lado, e o que tenha sido produzido pela imaginação humana, por outro lado. Oxalá possamos ter sabedoria para permanecer firmemente baseados naquilo que seja verdadeira ciência.

Inexistência de observação

Desnecessário é dizer que ninguém jamais observou uma estrela desenvolvendo o seu “ciclo vital” desde o “nascimento” até a “morte”. De fato, Abell comparou nossas observações mais extensivas relativamente a uma dada estrela com a observação do processo de envelhecimento de um homem durante dez segundos da sua vida média de setenta anos (1). Os outros 69 anos, 364 dias, 3 horas, 59 minutos e 50 segundos teriam que ser deduzidos mediante suposições.
Stuart Inglis, no seu “Planetas, Estrelas e Galáxias”, prontamente admite que “… não se pode ainda dizer com precisão a idade, o passado, e a existência futura de qualquer estrela isolada” (2).
Não há em todo o céu estrela alguma da qual os astrônomos possuam conhecimento detalhado. Apesar disso, ao generalizarem a respeito de todas as estrelas, parecem eles muito seguros de si, o que realmente é muito difícil de compreender. Mesmo que muito mais fosse conhecido, conviria ainda aos cientistas manter uma atitude de humildade e cuidado. Não estamos somente restringidos às observações atuais; estamos severamente limitados pelo fato de somente podermos estudar estrelas “epidermicamente” (vemos somente a sua superfície), e somos forçados a apreciá-las através de material interestelar cuja natureza e quantidade são compreendidas apenas parcamente.

Raciocínio em círculo vicioso

Para quem pesquisa nesse campo com alguma profundidade, torna-se logo evidente que os astrônomos são culpados do mesmo tipo de raciocínio em círculo vicioso praticado pelos geólogos e paleontólogos. Postula-se a evolução estelar ao se fazerem estimativas da idade das estrelas, e então as estimativas de idade são usadas para estabelecer uma estrutura para a evolução estelar. O seguinte diálogo poderia servir para tornar isso mais patente:
Instrutor – “Aldebaran, na constelação do Touro, é consideravelmente mais velha do que o nosso Sol”.
Aluno – “Como se sabe isso”?

Instrutor – “Ela obviamente evoluiu através da Seqüência Principal até a região das gigantes vermelhas do diagrama de Hertzsprung-Russell (veja o próximo item), enquanto que o Sol está ainda na Seqüência Principal. Há ainda outra categoria de objetos estelares denominados estrelas T do Touro que são mais jovens do que nosso Sol, não tendo ainda evoluído para a Seqüência Principal”.
Aluno – “Mas como sabem os astrônomos que realmente se dá a evolução estelar”?

Instrutor– “Porque são encontradas estrelas de várias idades que testemunham tal fato. Elas são por assim dizer fotos instantâneos de diferentes estágios de processo. Delas podemos formar uma seqüência lógica evolutiva”.

Estudantes cristãos de Biologia ou Geologia estão bastante familiarizados com esse tipo de raciocínio. A evolução é postulada ao se estabelecerem as “idades”; dai as “idades” são usadas para comprovar a evolução. Os astrônomos utilizam-se das estrelas em vez dos fósseis-índices da evolução biológica. Sempre que se descobre um novo tipo de estrela, necessita-se automaticamente de uma nova explicação. A alternativa da criação direta com diversificação nem mesmo é levada em consideração.
O diagrama de Hertzsprung-Russell
Fazendo-se um gráfico do brilho real intrínseco (grandeza absoluta) das estrelas situadas nos braços espirais de nossa galáxia, em função da temperatura, obtêm-se resultados semelhantes aos da Figura l. Para a maioria das estrelas há uma correlação evidente – quanto maior a temperatura da estrela, maior o seu brilho. A maior parte das estrelas fica situada numa diagonal que se estende da parte esquerda superior à parte direita inferior, a qual é denominada de Seqüência Principal. O nosso Sol, uma estrela típica da Seqüência Principal, fica localizado no ponto B. Outras categorias importantes são as gigantes vermelhas, as supergigantes e as anãs brancas.

O diagrama de Hertzsprung-Russell (H-R) de há muito tem servido como uma representação descritiva útil para as estrelas de nossa galáxia. Entretanto, nos últimos anos a sua utilização tem-se dado em grande parte no traçado de “caminhos evolutivos”. Um exemplo de tais caminhos é apresentado na Figura 1. Pretende-se ali traçar a história da vida de nosso Sol a partir do tempo de sua condensação proveniente de material interestelar em “A” até o seu estado final no “estágio” de anã branca na parte inferior esquerda do diagrama.

Presumivelmente a Seqüência Principal consiste de estrelas cuja principal reação produtora de energia é a fusão de Hidrogênio para a produção de Hélio. Supõe-se que as gigantes vermelhas sejam estrelas nas quais todo o Hidrogênio tenha sido consumido, ocorrendo então somente fusão de Hélio.

Figura 1 – Diagrama de Hertzsprung-Russell para as estrelas dos braços espirais de nossa galáxia, indicando o “caminho evolutivo” para o Sol – TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE (º F)

O caminho inicia-se com a suposta condensação de material interestelar em “A” e continua até a atual posição do Sol em “B”. Em seguida, acredita-se, o Sol evoluirá até uma gigante vermelha, e finalmente até uma anã branca.

É bastante interessante que há mais “elos perdidos” do que estrelas ao longo dos “caminhos evolutivos”. Esse importante fato deverá ser discutido em uma seção subseqüente.
As supostas direções de tais caminhos têm sido alteradas drasticamente nos últimos anos. Em certa ocasião muitos astrônomos aceitaram a evolução no sentido da esquerda para a direita ao longo da Seqüência Principal. Hoje em dia os caminhos são considerados na direção normal à Seqüência Principal. Projetando-se para o futuro, podem-se esperar muitas outras alterações, pois as teorias se ajustam para conformarem-se com a moda em vigor.

Jamais estrela alguma foi acompanhada mediante observação ao longo de qualquer caminho evolutivo. Pequenos deslocamentos de posição no diagrama H-R têm sido observados. Por exemplo, as Cefeidas variáveis oscilam tanto em brilho como em temperatura. Novas e supernovas explodem com grande brilho, deslocando-se temporariamente para cima no diagrama H-R. Entretanto, nunca foi observado um dado tipo de estrela evoluir para outro.

Envelhecimento das estrelas

Toda estrela é um sistema dinâmico sofrendo alterações degenerativas. As transformações degenerativas “normais”, tais como o consumo de combustível, não produzem alterações perceptíveis no diagrama H-R durante o intervalo de tempo em que temos estado a observar as estrelas telescopicamente. Como somente o exterior das estrelas pode ser observado, torna-se necessário estabelecer conjecturas a respeito de sua composição interior.
Os teóricos divisam então um modelo baseado em várias hipóteses simplificadoras. É esse modelo que é manipulado com tanta imaginação ao se extrapolarem as transformações evolutivas para a frente e para trás numa escala de tempo estendida muitas ordens de grandeza além do que seria garantido pelos dados em mãos.

Realmente, nós nem mesmo vagamente compreendemos o aspecto do universo atual, deixando à parte o que antes ele foi, ou o que ele está destinado a ser. Extrapolar para bilhões de anos além, na base de umas poucas décadas de observações, é tolice completa. Embora restritas essas observações, deveriam ser fielmente levadas em conta na construção da superestrutura da ciência astronômica, ao invés de serem usadas meramente como ponto de partida para especulação.

Relativamente à terminologia que é aplicada às alterações das estrelas, seria muito mais preciso usar o termo “envelhecimento das estrelas” do que “evolução estelar”. Este último implica em que existe alguma espécie de melhoramento envolvido. Em todos os estudos feitos até o presente, tem-se verificado ocorrerem somente transformações involutivas – fissão, dissipação e desintegração – as quais incluem:

  1. Consumo de Hidrogênio, um combustível de elevado conteúdo de energia, deixando como “cinzas” combustíveis de baixo conteúdo de energia, tais como Hélio. O Sol, uma estrela típica, consome quatro e meio milhões de toneladas de combustível por segundo.
  2. Irradiação de energia eletromagnética e neutrinos em todas as direções do espaço, sem possibilidade de recuperação.
  3. Perda de material por eventos destrutivos violentos, como nas novas e supernovas. (Suspeita-se também que as nebulosas planetárias formaram-se devido a erupções catastróficas nas estrelas).
  4. Ejeção de material formando uma atmosfera estelar em expansão como nas estrelas do tipo “shell”.
  5. Ejeção de partículas energizadas a partir da superfície de estrelas, mediante mecanismos tais como explosões solares.

Formação das estrelas

Da mesma maneira como se supõe que a geração espontânea precede a evolução biológica, também se diz que a formação das estrelas precede a evolução estelar. Neste ponto acha-se um dos mais enigmáticos problemas.
Um astrônomo inusitadamente franco afirma:

A opinião contemporânea acerca da formação das estrelas sustenta que são formados objetos chamados de protoestrelas em resultado da condensação de gás interestelar. Essa condensação é muito difícil teoricamente, não se podendo explicá-la mediante qualquer conhecimento teórico fundamental; pelo contrário, algumas evidências teóricas opõem-se fortemente à possibilidade de formação das estrelas. Entretanto, sabemos que as estrelas existem, e devemos fazer o máximo para explicá-las (3).
A última sentença não deixa de apresentar certo humor. As estrelas “lá” estão, apresentando um desafio ao evolucionista cósmico, da mesma maneira que o Monte Evereste “lá” estava como um desafio ao explorador Hillary. Mas como se explica que há coisas existentes para as quais o evolucionista não sente necessidade de explicação, tais como o Hidrogênio primordial e a lei da gravitação? Essas e muitas outras coisas são simplesmente consideradas como estabelecidas.

Outra afirmação bastante reveladora, admitindo que a formação das estrelas parece tão improvável que nunca deveria ter-se processado, parte de G. R. Burbridge, reconhecida autoridade na “evolução dos elementos” em conexão com as estrelas. “Se as estrelas não existissem, seria fácil demonstrar que isso era exatamente o que se devia esperar” (4). Simplesmente o problema decorre de que a condensação de uma estrela a partir de material interestelar violaria grande parte daquilo que conhecemos a respeito de leis e transformações naturais.

Praticamente todas as publicações de divulgação popular e 100% dos livros textos que adquiri, tratam desse problema muito superficialmente. É expressa uma fé implícita na teoria de que as estrelas se condensam espontaneamente a partir de nuvens interestelares, mediante atração gravitacional. Como tanto a causa quanto o efeito parecem estar presentes, isso aparenta foros de veracidade para o leitor médio, o qual aceita a idéia prontamente e parte para a leitura da especulação seguinte. Entretanto, cálculos acurados feitos com os dados disponíveis, indicam que as supostas transformações falhariam completamente.

Efetuando cálculos com valores numéricos dados pelos cosmogonistas, pode-se avaliar a variação de entropia numa condensação hipotética. Se resultar um aumento de entropia em tal transformação, pode-se concluir que ela é natural e se mantém de acordo com as tendências da natureza. Se, entretanto, resultar que a entropia devesse decrescer, ter-se-ia todo o direito de suspeitar; as transformações com decréscimo de entropia exigem uma inteligência organizadora e/ou energia proveniente do exterior. Ter-se-ia então de examinar se isso seria possível no âmbito dos fenômenos naturais.

Usarei em meus cálculos valores sugeridos por Lyman Spitzer, de Princeton, em um artigo apresentado no Instituto Goddard de Estudos Espaciais em Nova York (5). Considere-se uma nuvem interestelar com massa suficiente para formar o Sol: 2.1030 kg. Spitzer dá como temperatura da nuvem l00 °K (6). A partir de uma relação dada por ele, o volume da nuvem pode ser imediatamente calculado, resultando 5,64.1047 m3 (7).

Ao se ter o raio da nuvem reduzido por hipótese até atingir cem vezes o raio do Sol, supõe-se ter a sua temperatura atingido a 100.000 °K (8). O volume nesse estado é calculado como 1,40.1033 m3 (9). (Ver Figura 2).

Figura 2 – “Antes” e “depois”
Esquema da condensação hipotética para a formação de uma estrela (desenho fora de escala)

Vê-se que o volume foi reduzido por um fator de 400 trilhões (o diâmetro passando de cerca de um ano-luz para cerca de uma unidade astronômica), enquanto que a temperatura foi aumentada por um fator de somente mil. Poder-se-ia perceber já que em tal transformação a entropia teria de diminuir.

Cálculo de variação de entropia

Tratando o sistema como um gás ideal (o que é uma excelente aproximação devido à rarefação da matéria), a variação da entropia pode ser calculada mediante uma conhecida expressão encontrada em qualquer livro texto de Termodinâmica (l0).

(1)

onde S é a entropia, T a temperatura absoluta, V o volume, Cp o calor específico molar a pressão constante, e R a constante universal dos gases. Integrando ambos os lados, obtém-se:

(2)

Utilizando para Cp o valor correspondente a gás ideal, igual a (5/2) R (*) obtém-se:

Então, como mencionado anteriormente, T2 é a temperatura existente quando o raio se reduzir a cerca de 100 vezes o valor do raio do Sol, o seu valor igual a 100.000 °K ou 105 °K, enquanto T1 é a temperatura de 100 °K ou 102 °K, adotada para a nuvem interestelar. O volume V2 , quando reduzida a nuvem, é igual a 1,40.1033 m3 e o volume original V1 igual a 5,64.1047 m3. Substituindo esses valores, obtém-se:

Substituindo o valor de R, igual a 2 cal/mol °K, tem-se:

Mudando os logaritmos neperianos em decimais resulta:

ou, calculando-se os logaritmos

A entropia deve diminuir de 33 unidades por mol de matéria existente na nuvem. O fato de ter sido obtido um valor negativo para DS indica claramente que a condensação não é um processo espontâneo. A parcela correspondente à temperatura tem valor positivo, mas a contribuição da parcela negativa correspondente ao volume é muito maior (11).

Como a nossa intuição científica poderia nos ter alertado, é mais natural a nuvem expandir-se do que contrair-se, pois sabe-se, de observações em laboratório, que os gases expandem-se espontaneamente, mas não se contraem espontaneamente. Qualquer pessoa que alguma vez tenha enchido um pneu com uma bomba manual e assim concentrado uma certa quantidade de ar em um volume menor, sabe muito bem quanta energia é necessária para essa operação.

Aplicando, portanto, a Segunda Lei ao processo de formação de estrelas, verifica-se que as evidências favorecem ao processo inverso e não ao processo suposto. Eis aqui mais um caso em que a Segunda Lei da Termodinâmica aponta ao Criacionismo como a única explicação realística para a origem do universo em que vivemos.

Cálculo do empuxo para fora

Serão também calculadas as forças atuantes na superfície da nuvem original. Poder-se-á assim mostrar que o empuxo de dentro para fora devido à agitação térmica das moléculas, mesmo a l00°K, é maior do que a força gravitacional agindo no sentido de fora para dentro.
(*) Cp é o calor específico molar de um gás a pressão constante. Os cosmogonistas geralmente supõem que tal nuvem se contrai sob ação de uma pressão externa constante, e que o gás é Hidrogênio atômico neutro (Ver Referência n.º 12). Hidrogênio sob essa forma é uma boa aproximação de um gás monoatômico ideal, cujo Cp é (5/2) R.

O empuxo centrífugo, de dentro para fora da nuvem, pode ser calculado a partir da lei dos gases ideais
pV = nRT (3)
onde p é a pressão, V o volume da nuvem, n o número total de moles da matéria componente da nuvem, R a constante universal dos gases e T a temperatura absoluta. Novamente, essa é uma aproximação excelente porque as partículas estão suficientemente distantes entre si. Tem-se então
p = nRT / V

A força escalar total de dentro para fora agindo sobre toda a superfície da nuvem é simplesmente o produto daquela pressão pela área da superfície externa da nuvem:
F = pA = nRTA / V (4)

Supondo-se uma nuvem esférica, como de costume na literatura, a sua área e o seu volume serão respectivamente

Tem-se então

(5)

ou

(6)

onde ro é o raio da nuvem, cujo valor numérico é 5,13.1015 m. Supondo que o material seja Hidrogênio atômico neutro (12) então

ou F = 9,72.1020 newtons.

A força escalar total, de dentro para fora devido à agitação térmica das moléculas é, portanto, igual a 9,72.1020 newtons.

Calcularemos em seguida a força gravitacional centrípeta, atuando no sentido de fora para dentro, para a nuvem toda, mediante a expressão de equilíbrio hidroestático (13):

dp / dr =  G M(r) / r2         (7)

onde r é um raio genérico, p é a pressão,  é a densidade, e M(r) é a massa da nuvem, contida dentro da esfera de raio r genérico, expressas como função de r. Supondo densidade uniforme, M(r) pode ser substituída pelo produto da densidade pelo volume, resultando

(8)

Tem-se então

que pode ser integrada do centro da nuvem à periferia (de r=0 a r=ro) dando

ou, com r entre 0 e ro

(9)

A força escalar total atuando sobre a superfície, no sentido de fora para dentro, é essa quantidade multiplicada pela área da superfície:

(10)

Ou, simplificando:

(11)

Considerando que

a expressão final se reduz a (12)

Substituindo os valores das grandezas utilizando o sistema Giorgi tem-se F = 1,52.1019 newtons

A força escalar gravitacional agindo sobre a superfície da nuvem no sentido de fora para dentro é, portanto, igual a 1,52.1019 newtons.

Comparando-se ambas as forças, resulta
(Força de dentro para fora) / (Força de fora para dentro) = 9,72 . 102 / 1,52 . 1019 = 64

Atua sobre a nuvem uma força de dentro para fora 64 vezes maior do que a força de fora para dentro, resultando, portanto, uma maior tendência para expansão do que para contração. Devemos manter em mente que foi permitida a escolha das condições iniciais da nuvem por um famoso cosmogonista. Foi-lhe dada a vantagem de escolha das circunstâncias e do material inicial, e mesmo assim o resultado dos cálculos ainda se opõe fortemente a tal formação das estrelas.

Aplicando-se as mesmas equações ao material condensado (o material nas condições V2 e T2, tendo um raio pouco menor do que o raio da órbita da Terra) vê-se que nesse caso a gravitação está de fato obrigando o material a se contrair (14). Entretanto, é impossível de se compreender como se deu inicialmente a redução de volume até atingir aquele valor, a menos que fosse por uma criação direta.

Das equações (6) e (12) anteriores pode-se ver facilmente que um objeto que já possui dimensões estelares exibirá uma intensa força gravitacional de fora para dentro, facilmente superando a força térmica atuando de dentro para fora: (l5)

Força térmica F = 3 n R T / ro

Força gravitacional F = 3 G M2 / 2 ro2

A força no sentido de dentro para fora é inversamente proporcional ao raio, enquanto que a força de fora para dentro é inversamente proporcional ao quadrado do raio.

De uma maneira geral, portanto, quanto menor o objeto, tanto melhor poderá ele contrair-se, enquanto não tiver ainda sido atingido o equilíbrio. Porém, as enormes nuvens que estão na moda hoje em dia entre os teóricos (nuvens que supostamente produzem estrelas em grupos de centenas de milhares) são extremamente desfavoráveis para a contração. A gravitação pouco influi com tão grandes raios.

Introduzindo mais especulação

Como então se propõe um tal processo de formação de estrelas como verossímil? Com a segunda lei da Termodinâmica trabalhando contra, e com a gravitação não conseguindo sobrepujar a força de expansão térmica, não se consideraria tal ponto de vista derrotado? Nunca!

Mentes com imaginação fértil podem sempre engendrar um esquema para se livrar das leis da natureza – pelo menos no papel. O esquema aqui invocado é simplesmente o seguinte: envolva-se a nuvem que se deseja comprimir com uma outra nuvem de maior temperatura, de tal modo que as moléculas na superfície da nuvem interna serão bombardeadas pelas moléculas da nuvem externa que se agitam mais rapidamente e assim serão empurradas para dentro. Contornando o obstáculo dessa maneira, supostamente surge suficiente força bruta para tornar possível o impossível.

Conforme a descrição de Spitzer, a nuvem de 100 °K que se deseja comprimir deve estar circundada por uma segunda nuvem com temperatura de l0.000 °K, a nuvem interna sendo de Hidrogênio neutro e a externa de Hidrogênio ionizado (HI e HII respectivamente, na terminologia astronômica) (16). Entretanto, infelizmente para a teoria, é questionável a ocorrência de regiões HI em tais bolsas envolvidas por regiões HII.

A situação real é exatamente a oposta. De acordo com Bart Bok, as regiões HII são geradas por estrelas muito quentes de classe O ou B (*) expandindo-se em direção à região HI circundante (17). Entretanto, para possibilitar o esquema anteriormente mencionado, uma região HI deveria estar providencialmente envolvida por uma região HII ao longo de um ângulo sólido de 4p estereorradianos, contrariando a observação.

Deslocando as condições iniciais dessa maneira, Spitzer contornou uma série de problemas sem nem mesmo abordá-los. A nuvem interna, sendo cem vezes mais fria do que a externa, já está muito mais condensada do que a sua envoltória no próprio início do processo. Como chegou ela a essa situação?

A temperatura de l0.000 °K postulada por Spitzer para a nuvem externa é mais do que uma vez e meia a temperatura da superfície do Sol. Como poderia ser mantida tal temperatura em tão extensa região de material interestelar? Mediante aquecimento por estrelas próximas? Como então se condensaram as primeiras estrelas antes que houvesse outras estrelas aquecendo o gás? Isso nos relembra o dilema do ovo e da galinha mencionado na Hipótese da Nuvem de Poeira de Whipple, discutida em um artigo prévio (18). Nesse caso imaginava-se que a pressão da luz proveniente de outras estrelas concentrava o material em um volume menor.

Talvez a parte mais ridícula de toda a hipótese seja a fé inocente dos cosmogonistas em crer que as nuvens quente e fria permaneceram sem se misturar por milhões de anos (Herbig dá a cifra de 50 milhões de anos!) enquanto se procedia o processo de condensação! Não foi este o único panteísta que atribuiu à “natureza” muitas e poderosas forças, inclusive a capacidade de violar as suas próprias leis.

Outras dificuldades na formação das estrelas

Voltando agora a outros tipos de dificuldades ligadas à formação das estrelas, observamos que existe um sério problema de quantidade de movimento angular. A nuvem original deveria estar com ligeira rotação, devido à rotação galáctica diferencial (uma velocidade periférica de cerca de 100 metros por segundo) (19). Se a nuvem se contraísse para formar uma estrela estritamente dentro da conservação da quantidade de movimento angular, a velocidade da superfície da estrela seria maior do que a velocidade da luz! (20) Assim o próprio cosmogonista se acha embaraçado com a existência de tamanha quantidade de movimento angular, sendo forçado a imaginar mecanismos para consumir o excesso. Entretanto, os esquemas propostos têm sido de maneira notável faltos de credibilidade.

Ainda outro grande ponto de interrogação prende-se à intensidade e à distribuição do campo magnético ao longo da galáxia. Se a intensidade do campo atingir 2.10-5 gauss, a formação das estrelas estará “em dificuldades”(21). Um ponto de vista usualmente mantido é que o campo é paralelo aos braços espirais da galáxia, atingindo de fato 2.10-5 gauss.

Sempre que existe uma dúvida devido à inexistência de evidência experimental, os cosmogonistas apressam-se em tirar proveito próprio daquela dúvida.

Em resumo, Spitzer não parece completamente convencido do esquema por ele mesmo estabelecido. Isso é evidenciado por afirmações tais como as seguintes: “Deveria ser ressaltado que toda essa discussão é somente tentativa, servindo principalmente para destacar alguns dos problemas envolvidos” (22). Após fazer a lista dos estágios hipotéticos na formação das estrelas, ele afirma “Como indicação das muitas incertezas existentes na teoria da formação das estrelas, deveria ser observado que possivelmente alguns desses estágios nem mesmo se iniciam no decorrer do processo real de nascimento de uma estrela” (23). Desta maneira, o homem que provavelmente é a maior autoridade no assunto, parece ter numerosas restrições quanto aos detalhes do processo. Mesmo assim, há fé suficiente para crer que o processo de fato tem lugar e que é um fenômeno diário comum ao longo do tempo e do espaço.

(*) As estrelas se classificam de acordo com o seu espectro em sete divisões principais: O, B, A, F, G, K e M. As estrelas de classe O e B são azuis-brancas com temperaturas superficiais inusitadamente elevadas – maiores do que 25.000 °K para a classe 0 e 11.000 – 25.000 °K para a classe B. (Essas são temperaturas consideravelmente maiores do que as do Sol, que tem cerca de 6.000 °K na sua superfície).

Os jornalistas estão sempre desejosos de uma tiragem sensacionalista em que se apresente uma manchete com os dizeres “Nasceu uma Estrela” ou “Parece iminente o nascimento de uma estrela”. Uma notícia da United Press International de 2 outubro de 1967 declarou que a humanidade podia estar ameaçada com o grande espetáculo do nascimento de uma estrela dentro dos próximos vinte anos. Baseado num artigo controvertido de George Herbig publicado no Scientific American (24) a notícia afirmava que a nebulosa de Órion (Figura 3) estava sendo observada detidamente com a esperança de que brevemente seria completado o “período de gestação” de alguma “protoestrela”.

Há um problema sério relativamente à verificação de observações no estudo de nebulosas como essa. Se fosse vista uma “nova” estrela isso poderia ser simplesmente devido à rarefação da poeira interestelar situada defronte à estrela que já lá estivesse. Esse fato tem sido sobejamente admitido na literatura especializada, mas deveria ainda achar o seu lugar nos meios de divulgação.

As Escrituras parecem claras a respeito do fato de que os céus estavam completamente estruturados no término da semana da Criação. Gênesis 2:1 declara “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército”. O Salmo 33 também leva à impressão de um “fiat” divino que repentinamente trouxe as estrelas à existência: “Os céus por Sua palavra se fizeram, e pelo sopro de sua boca o exército deles … pois Ele falou e tudo se fez, Ele ordenou e tudo passou a existir” (Salmo 33 versos 6 e 9). Novamente, em Êxodo 20:11 lê-se: “Porque em seis dias fez o Senhor os céus a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou …”.

Formação de galáxias

A partir da discussão anterior, compreende-se que são problemáticas as condensações de “matéria primordial”. No nível de galáxias, entretanto, as dificuldades se apresentam em escala muito maior. No caso de nossa própria galáxia, pelo menos, torna-se necessário explicar a intrincada constituição do disco – seu núcleo e braços espirais contendo cerca de 100 bilhões de estrelas, as quase cem nuvens globulares (cada uma contendo diversas dezenas de milhares de estrelas) girando em torno da galáxia como satélites, e a coroa galáctica (Ver Figura 4).

Muitos cosmogonistas não têm desejado abordar o problema das origens das galáxias. Alfvén manifesta um salutar respeito ao problema, admitindo prontamente que o nosso “conhecimento” da formação de estrelas não aumenta apreciavelmente nossa compreensão da formação das galáxias:

Entretanto mesmo essa abordagem em seguida nos leva a sérias dificuldades. Para iniciar, a analogia com a formação de estrelas é de pouco auxílio, porque a nossa compreensão de suas últimas fases é ainda obscura.

Figura 3 – Grande nebulosa de Órion (M 42)

Os astrônomos observam atentamente essa nebulosa na esperança de presenciar “o nascimento de uma estrela” nos próximos anos. Contudo, mesmo que tal processo fosse teoricamente possível, tal acontecimento nunca poderia ser definitivamente comprovado. Se uma “nova” estrela tornar-se visível, isso poderia se dar simplesmente devido à rarefação da poeira estelar situada diante da estrela que já lá estivesse.

Figura 4 – Nossa galáxia vista de lado, mostrando a coroa galáctica
e as nuvens globulares (satélites da galáxia)
Nenhuma teoria evolucionista explica a origem e a manutenção da galáxia ou dos seus satélites.

Em seguida, não deveríamos esperar quaisquer semelhanças maiores, porque o produto final, uma galáxia, difere tão grandemente de uma estrela não somente em tamanho. Ainda mais sério é que a teoria da formação das estrelas supõe que a massa em condensação consiste exclusivamente de koinomatéria (matéria comum). A teoria, de fato, imediatamente leva ao conceito de antimatéria, mas falha quando confrontada com uma mistura de koinomatéria e antimatéria: um ambiplasma. Por sua própria natureza, o ambiplasma deve incorrer em aniquilação, o que pode ser de importância fundamental (25).

Os primeiros estágios da formação galáctica são bastante incompreensíveis, mas, acrescenta ele, “o desenvolvimento posterior das galáxias traz um problema mais formidável” (26). A Enciclopédia Britânica concorda com este ponto de vista, denominando toda essa área de “um desafio ao pensamento cosmogônico” (27).

Enquanto a literatura popular sobre o assunto fala levianamente de “protogaláxias”, como se elas fossem uma realidade diária, nunca nenhuma foi jamais observada, bem como nenhum modelo satisfatório jamais foi formulado para elas (28).

Evolução galáctica

Evoluem as galáxias gradualmente de um a outro tipo, através de milhões ou bilhões de anos? O ponto de vista atual é que não. A maneira pela qual essa posição tem-se tornado respeitável constitui um interessante estudo histórico.

Encontramos nos céus diversos tipos diferentes e distintos de galáxias – espiraladas normais, espiraladas barradas, elípticas de vários graus de achatamento, e irregulares. Há muitas décadas Hubble arranjou-as no seu conhecido “diagrama em diapasão” mostrado na Figura 5. Acreditava ele que as galáxias evoluíam da esquerda para a direita no diagrama, iniciando-se como galáxias elípticas circulares, gradualmente achatando-se, e em seguida se transformando em um tipo de espiral, ao longo do braço superior do diagrama. Finalmente, propôs ele, elas perderiam toda a estrutura dos seus braços espirais para formar uma galáxia irregular (29).

Figura 5 – O diagrama em diapasão de Hubble

Hubble cria que as galáxias evoluem da esquerda para a direita, ao longo do braço superior. Shapley mantinha que a evolução se dava da direita para a esquerda. O consenso atual é que as galáxias não evoluem de um tipo para outro.

Shapley, por outro lado, achou mais razoável que a evolução se desse da direita para a esquerda. Entretanto, o importante é que a todo custo as galáxias deveriam evoluir.

Em ambos os esquemas foi seguido o braço superior do diagrama, e não foi oferecida nenhuma explicação satisfatória para a existência das espirais barradas – aquelas que possuem estutura contendo uma barra central. Ainda hoje constituem elas um real enigma. Hodge afirma:

Outro importante problema dinâmico não resolvido é o problema da explicação da existência das barras nas galáxias espiraladas barradas. Essas massa de estrelas não obedecem a qualquer modelo dinâmico razoável, e talvez possam ser mantidas por forças não gravitacionais, tais como um forte campo magnético. Como isso pode suceder não é ainda conhecido (30) (Ver Figura 6).

Figura 6 – Galáxia espiralada barrada de Eridanus (NGC 1300)
Os astrônomos encontram dificuldade para explicar como a barra se mantém durante longos períodos de tempo.
O problema é resolvido muito facilmente com uma Criação recente.

As galáxias espiraladas barradas são melhor explicadas mediante uma Criação recente. Tendo como base o conhecimento atual, essas estruturas devem ser extremamente jovens, senão as barras teriam já de há muito se curvado em espirais, de conformidade com a Segunda Lei de Kepler.

Nem a teoria de Hubble, nem a de Shapley, foram baseadas em evidências físicas reais. Sente-se hoje, de maneira geral, que as considerações relativas a quantidades de movimento angular regem tal evolução de tipo para tipo. Abell resume a situação da seguinte maneira:

Há muita dúvida, entretanto, sobre se realmente as galáxias evoluem de um tipo para outro. O fato de diferentes espécies de galáxias serem achatadas em diferentes proporções quase certamente resulta de possuirem diferentes quantidades de movimento angular, isto é, de terem diferentes taxas de rotação. Em outras palavras, as galáxias devem sempre ter tido a sua forma atual (pelo menos a partir de sua formação), dependendo a forma de cada galáxia principalmente da sua massa e da sua quantidade de movimento angular por unidade de massa (31).

É animador ver que muitos astrônomos não mais estão tentando fazer uma dicotomia entre galáxias “jovens” e “velhas”. Hodge escreveu:

A nossa conclusão, então, é de que a seqüência da classificação das galáxias não é uma seqüência evolutiva … A melhor evidência por ora disponível indica que elas são todas aproximadamente da mesma idade, pelo menos todas as suficientemente próximas de nossa galáxia para ser feita tal estimativa.(32) .

O problema dos planetas

Embora exista uma confiança inabalável entre o público pseudo-intelectual em geral, de que a Terra e outros planetas se tenham condensado a partir “da mesma nuvem que formou o Sol”, os verdadeiros entendidos nesse campo têm dificuldades de explicar exatamente a suposta causa que fez com que as pequenas partículas de matéria se agregassem para formar corpos maiores (se de fato se pudesse garantir a existência das pequenas partículas).

Thomas Gold, da Universidade de Cornell, escrevendo sobre “Problemas Requerendo Solução” apresenta como problema número um “o método de aglomeração de partículas sólidas. Como são elas controladas para se juntarem, especialmente mantendo certo intervalo de tamanho?” (33) Partículas de ferro, declara ele, podem ser mantidas juntas pelo magnetismo até determinadas dimensões, além das quais existe uma “difícil descontinuidade entre os objetos com dimensões de centímetros ou metros, e os objetos gravitacionalmente ativos (com dimensões de quilômetros ou maiores)” (34). “Essa descontinuidade é difícil de ser removida, porque até então a gravitação não intervém” (35). Menciona ele então a possibilidade de formarem os cometas núcleos de crescimento, mas falha na explicação da sua origem.

Hoyle segue um caminho diferente. Concebeu ele a engenhosa idéia de congelar as partículas juntamente com água (36). Infelizmente, entretanto, ele falha em revelar como foi sintetizada aquela água. Além disso, concorda também com a possibilidade de o calor do Sol derreter o gelo e prejudicar todo o esquema. Convém observar que até o presente todas as análises dos planetas do nosso sistema solar, feitas com sondas espaciais, indicam ausência de água extra-terrestre. É portanto questionável postular a existência de água em qualquer outro ponto do espaço como o faz Hoyle.

Uma idéia anterior de Hoyle envolvia o uso de óleo ou piche como agente aglomerante. Virtualmente tudo, desde “chiclé” até “barbante” já foi experimentado para aglomerar os planetas, mas ainda assim permanece o problema …

O número de 23 de dezembro de 1966 do Time trouxe um artigo sensacionalista típico relativo à formação imaginária de um outro sistema solar na constelação Monoceros. Baseado numa publicação de Low e Smith apresentada na revista Nature (37), o artigo descrevia observações da estrela de ordem de grandeza doze, R. Monocerotis. O objeto, de acordo com os detalhes dados na publicação original, é nada menos do que uma estrela de alta temperatura circundada por uma espessa coberta de gás e poeira. E o artigo assim mesmo apresentava o título muito presunçoso “Observações ao infravermelho de um sistema preplanetário”.

Não há evidência experimental indicando que o objeto de fato esteja se contraindo como se supõe. Realmente poderá mesmo estar se expandindo às custas do calor da própria estrela. De fato, a maior parte da envoltória observada pode ter sido expelida pela estrela; nada está estabelecido com precisão relativamente à rotação da estrela ou da nuvem. Assim, o que pode muito bem ser um outro fenômeno degenerativo, tem sido interpretado, com uma medida generosa de boa vontade, como um processo “criativo”.

Mantenhamos em mente, com destaque, o fato de ser o nosso sistema solar o único sistema planetário jamais observado. Todos os outros bilhões de sistemas solares supostamente existentes têm sido inferidos por racionalizações estatísticas bastante discutíveis e não por sólida evidência física.

O que tem sido observado são diversos sistemas binários em que um membro do sistema é extremamente escuro ou mesmo opaco e portanto invisível mesmo com os nossos melhores telescópios (binários astrométricos). Em tal caso, a existência da acompanhante é inferida através da trajetória ondulada do membro brilhante. As melhores autoridades ainda discordam a respeito de ser considerado tal objeto como um superplaneta ou como uma miniestrela.

Multiplicidade de tipos de estrelas

Poder-se-ia ter a impressão de que, em comparação com o mundo biológico, o mundo estelar fosse algo monótono, compreendendo somente estrelas, estrelas e mais estrelas. Entretanto esse não é o caso. A sua diversidade tanto em estrutura quanto em função é surpreendente. De fato, “uma estrela difere de outra” (I Cor. 15:41) no sentido de que não há duas estrelas exatamente iguais.

As estrelas podem diferir em tamanho, massa, densidade, cor, brilho, temperatura, rotação, composição, linhas ou bandas espectrais, estabilidade, intensidade de campo magnético, natureza e extensão da atmosfera ou envoltória, período (para as estrelas variáveis), emissão radiomagnética, radiação corpuscular, e muitos outros fatores tais como serem isoladas, binárias, ou membros de sistemas mais complexos.

Teoricamente, deveria provavelmente haver tantas categorias de classificação quanto estrelas existentes. Entretanto, por razões práticas, têm sido estabelecidos alguns grupos arbitrários bastante amplos. Mesmo uma lista abreviada dos tipos de estrelas e objetos estelares que são encontrados na literatura seria bastante extensa para ser incluída neste artigo.

“Elos perdidos”

Recai sobre o evolucionista, que afirma que todo objeto mantém relação de série com os demais, a responsabilidade de demonstrar pela observação a existência dos estágios intermediários entre os vários tipos. Em muitos casos não tem sequer havido um tratamento teórico da transição imaginada. Alguns dos obstáculos específicos que existem serão considerados a seguir.

1) Estrelas pulsantes são estrelas instáveis, cujo brilho alternadamente aumenta e diminui. Parece existir uma oscilação simultânea das suas dimensões, como um balão de borracha sendo alternadamente enchido e esvaziado. Existem muitos tipos essencialmente diferentes, alguns dos quais são
a) as variáveis RR da constelação da Lira, com períodos curtos de 0,3 a 0,7 dias;
b) as clássicas Cefeidas, com períodos de 1 a 50 dias;
c) as variáveis W da Virgem, com períodos semelhantes, mas com 1 ou 2 grandezas a menos;
d) as variáveis do tipo Mira, com longos períodos, de 80 a 1000 dias;
e) variáveis semi-regulares;
f) variáveis irregulares;
g) variáveis espectrais.

A maneira pela qual uma estrela “normal” supostamente perde a sua estabilidade e evolui no sentido de uma estrela pulsante, é realmente um grande mistério. E como então supostamente ela recupera sua estabilidade e evolui no sentido de um outro tipo é igualmente enigmático. Inglis afirma “Por que a estrela começou a pulsar inicialmente não é completamente compreendido, entretanto sabemos que forças desbalanceadas devem ter-se desenvolvido, causando uma expansão ou contração inicial” (38) – o que é tão específico quanto o oráculo de Delfos. Evidentemente, o problema relaciona-se com a estrutura interna das estrelas, a qual não pode ser observada; logo, as únicas ferramentas à nossa disposição são modelos supersimplificados, imperfeitos, meras tentativas.

2) As Estrelas T do Touro são objetos vermelhos altamente instáveis considerados como o elo entre as nuvens interestelares e as estrelas da Seqüência Principal. Bem mais de mil dessas estrelas foram identificadas na galáxia.

Mas as estrelas T do Touro diferem radicalmente do modelo predito pela teoria da evolução estelar. Elas estão envolvidas por atmosferas externas espessas e altamente ativas. Ao invés de absorverem matéria do espaço circundante, como poderia ser esperado, elas estão expelindo matéria proveniente da estrela! Apresentam também uma grande superabundância de Lítio, que não teria meio concebível de atingir aquele nível durante a “curta” história da estrela, especialmente considerando que supostamente não se teriam ainda iniciado as reações termonucleares.

George Herbig, astrônomo do Observatório de Lick, após discutir essas peculiaridades em certa extensão, apresenta este resumo:

Que atributos ou que transformações físicas poderiam causar os traços distintivos das estrelas T do Touro? As suas cromosferas extremamente ativas e luminosas, as suas ejeções maciças de matéria superficial, a sua variabilidade de brilho, a sua elevada abundância de Lítio? Nenhum desses fenômenos é predito pela moderna teoria da contração de estrelas jovens. Cada um deles é ainda um completo mistério (39).

A conclusão lógica é que as estrelas T do Touro não são o elo entre o gás interestelar e as estrelas da Seqüência Principal, tão desesperadamente procurado pelos teóricos; o “elo real” ainda está faltando.

3) As nebulosas planetárias são envoltórias de gás expandindo-se lentamente em torno de certas estrelas bastante quentes (Ver Figura 7).

Figura 7 – Nebulosa planetária de Aquário (NGC 7293)
Tais nebulosas são supostas constituir um elo de ligação evolutivo entre as gigantes vermelhas e as anãs brancas.
Entretanto nunca foi observada nenhuma delas no processo de evolução de algo ou para algo.

Os evolucionistas estelares há tempo têm tentado considerar as nebulosas planetárias como um elo entre as gigantes vermelhas e as anãs brancas. Concorda-se geralmente que elas têm origem catastrófica como por exemplo a erupção da estrela central. Entretanto, de acordo com Meadows, “… nenhuma explosão produzindo tal nebulosa jamais foi observada” (40).

Talvez hoje a autoridade máxima em nebulosas planetárias seja Lawrence H. Aller, da U.C.L.A., que em recente artigo afirmou “… poderemos algum dia achar um jovem objeto que esteja evoluindo para uma planetária … mas no momento não se conhece nenhum” (41).

Inglis relembra diversos “possíveis candidatos ao trabalho de suprir o universo com nebulosas planetárias” tais como novas, estrelas Wolf-Rayet, estrelas RR da Lira e gigantes vermelhas variáveis irregulares, e conclui “… nenhuma dessas parece satisfazer completamente; os astrônomos ficam com outro enigma para resolver” (42).

4) As anãs brancas são estrelas extremamente pequenas que se julga consistirem, na maior parte, de “matéria degenerada”, isto é, matéria que é suposta ter atingido uma densidade fantasticamente elevada. (A possibilidade de terem elas sido criadas como anãs brancas não é nem mesmo acenada como hipótese).

O dogma em voga estabelece que as gigantes vermelhas evoluem na direção das anãs brancas. Somos ensinados que o nosso Sol algum dia tomará o caminho de todas as estrelas que exauriram o seu suprimento de Hidrogênio – dissipar-se até tornar-se uma gigante vermelha, e depois reduzir-se a uma anã branca. Entretanto, a “estrela” seguida no diagrama de Hertzsprung-Russell para atingir o “estágio” de anã branca é somente conjectura resultante da composição de hipótese sobre hipótese. De acordo com Brandt, “A maneira precisa pela qual o Sol atingirá essa área do diagrama H-R é desconhecida. A trajetória poderá ser ao longo da seqüência das estrelas quentes sub-luminosas … pois que esses objetos são comumente supostos em estágio avançado de sua evolução” (43). Obviamente, as conjecturas abundam.

Abell acrescenta: “A evolução … a partir da gigante vermelha para a anã branca, é somente especulativa. Talvez a estrela passe por um estágio de variabilidade, ou emita matéria como uma nebulosa planetária” (44).

Ficamos mais receosos, ainda, quando observamos que alguns astrônomos afirmam que as anãs brancas são remanescentes de supernovas, enquanto que outros mantêm que as anãs brancas evoluem para supernovas! Independentemente do que sejam realmente os fatos, a evolução deve, hoje em dia, ser apresentada!

Deve tornar-se evidente ao cristão estudioso que todo o sistema de evolução estelar foi construído sobre uma premissa que é implicitamente ateísta. A mente uniformista exige que cada objeto astronômico seja explicado por algum “estágio prévio de desenvolvimento”. Não há jamais a disposição de admitir uma Criação de boa fé em lugar algum.

Discrepâncias nas idades

Um dos aspectos mais interessantes deste estudo é a consideração de algumas das inconsistências que surgem com relação à escala de tempo cósmica. Tais discrepâncias são levadas a ocorrer ao ser tentada pelos teóricos modernos a imposição de uma moldura evolucionista sobre um universo em degeneração, e muitos dos problemas tanto mais se complicam quanto mais se faça por eles.

1) Idade do universo:

Comparemos a idade do Universo de acordo com várias autoridades no campo da Astronomia. O seu desacordo preencheria volumes na tentativa de justificar a confiança de seus métodos de datação:

Idade estimada do Universo Autoridade

4,3 ~ 5 bilhões de anos Gamow (45)
7 bilhões de anos Peebles e Wilkinson (46)
10 ~ 15 bilhões de anos Ashford (47)
70 bilhões de anos Shklovski (48)
Trilhões de anos Alfvén (49)
Infinita Hoyle (50)

Uma coisa é indubitavelmente certa. Não podem estar certas simultaneamente todas essas pessoas. Apesar disto, pelo menos quatro deles são considerados como cosmogonistas de primeira linha.

Que “métodos de datação” são usados? O cosmogonista simplesmente toma um número que sente suficientemente grande para conter todos os processos evolutivos das eras passadas. Contudo, não há dois deles que cheguem a acordo quanto ao que aconteceu no passado.

Dispor-se-ia algum desses homens a considerar honestamente uma Criação no passado por eles especificado? Certamente não! Eles têm uma maneira bastante evasiva de enfrentar o problema da Criação, deslocando-a cada vez mais para trás, mas nunca entrando no âmago da questão. Típico dos cosmogonistas é Alfvén, que diz “Pedimos licença para deixar de lado a questão “O que então aconteceu antes?” (51) … Anteriormente a este ponto o modelo no tempo cessa de ser relevante para nós” (52).

As menores estimativas baseiam-se nas velocidades retrógradas das galáxias distantes, inferidas a partir do deslocamento para o vermelho. Está implícita nesses cálculos a hipótese de que o deslocamento para o vermelho (deslocamento das linhas espectrais em direção aos maiores comprimentos de onda) é de fato devido ao efeito Doppler. Atualmente há astrônomos, como por exemplo Gerald Hawkins, da Universidade de Boston, que não aceitam essa interpretação (53). A explicação alternativa mais freqüentemente oferecida envolve uma espécie de fenômeno conhecido por “luz cansada”.

Recentes pesquisas sobre quásars tornaram a interpretação com o efeito Doppler mais do que questionável. Um quásar apresenta cinco diferentes deslocamentos para o vermelho. O seguinte trecho é reproduzido do Boletim de Notícias de 1968 do American Institute of Physics:

Estudos teóricos e experimentais conduzidos na Universidade de Califórnia (San Diego), Observatório do Pico Kitt no Arizona, e no Instituto de Tecnologia da Califórnia, mostram que vários deslocamentos diferentes para o vermelho podem ser atribuídos ao espectro de absorção de um único quásar. No caso mais extremo um quásar apresenta cinco deslocamentos para o vermelho no intervalo de 1,36 a 2,20. Obviamente, só um deslocamento pode ser atribuído ao movimento do objeto como um todo, e portanto algo deve ser proposto para justificar os demais(54).

2) Galáxias espirais:

Uma discrepância de idade bastante séria é observada nos braços espirais das galáxias. O autor teve sua atenção chamada pela primeira vez para essa fonte de embaraço aos evolucionistas, ao ler “Galaxies and Cosmology” de Paul W. Hodge há alguns anos. Hodge apresenta o problema da seguinte maneira:

Os períodos de rotação das galáxias espirais são de aproximadamente 108 anos, à distância média do centro, e as idades das galáxias espirais são de aproximadamente l010 anos. Logo, dever-se-ia esperar que um braço espiral formado no início da história da galáxia apresentasse hoje cerca de cem espiras. Na realidade a maior parte dos braços espirais das galáxias apresentam somente uma ou duas espiras completas (55).

Uma galáxia espiral típica é mostrada na Figura 8. Se ela tivesse a idade pretendida, deveria estar formando um disco compacto, sem espaços entre as cem ou mais espiras dos braços.

Os teóricos tinham esperança em que a dificuldade poderia ser resolvida bastante simplesmente com a demonstração de que a galáxia gira como um todo – que os braços estão congelados de forma permanente mediante um campo magnético. Entretanto, Halton Arp, dos Observatórios de Monte Wilson e Monte Palomar rejeita essa explicação em artigo recente: “O campo magnético que atua no gás existente em um braço não é suficientemente forte para produzir rigidez apreciável, e de qualquer maneira as estrelas não estão aclopadas a esse campo magnético” (56).

Algo mais foi então proposto – a teoria da onda de densidade. De acordo com essa idéia, regiões alternadas de condensação e rarefação giram em torno da galáxia com velocidade constante. Entretanto Arp logo mostra que também isso não constitui uma panacéia: “… Há toda uma classe de espirais que contêm pouco ou nenhum disco no qual as ondas de densidade possam ser transmitidas” (57).

Figura 8 – Galáxia espiral normal da Virgem
Se tais galáxias são tão antigas quanto se pretende, os seus braços deveriam conter cerca de cem espiras. Na realidade raramente exibem mais do que duas espiras completas. É essa possivelmente a mais gritante discrepância de idade com que os astrônomos se deparam atualmente.

Arp sugere, então, que os braços espirais podem simplesmente ser as trajetórias de matéria expelida do núcleo galáctico. A rotação diferencial daria a essas trajetórias a configuração espiralada. Entretanto, Arp não consegue dar uma explicação satisfatória do motivo pelo qual tais ejeções, que ocorreram perto do “início”, não produziram sistemas altamente espiralados; voltamos novamente ao problema original. Pareceria mais lógico acreditar que as galáxias espirais são consideravelmente mais jovens do que se tem suposto.

3) Nuvens globulares:

São elas conjuntos praticamente esféricos de estrelas que gravitam em torno de nossa galáxia como satélites (Ver Figura 9). Normalmente se acredita que tais nuvens são “bastante idosas” porque parecem ser “altamente evoluídas”.

Algumas estimativas de idade de nuvens globulares (por exemplo, da M3 e da M5) atingem até 26 bilhões de anos (58). Obviamente as pessoas que fazem tais asserções não mantêm íntima comunhão com os que atribuem 7 bilhões de anos ao Universo. Quanto mais se estudam as manifestações dos astrônomos de nossos dias, mais se verifica quão pouca concordância há entre eles. Somos assediados hoje por uma miscelânea de idéias mutuamente contraditórias, resultantes do desejo de superpor uma moldura evolucionista a um universo em degeneração (59).

No caso da nuvem M3 vem à luz uma situação embaraçosa. O problema, algo simplificado, é o seguinte: Se a nuvem tem a idade pretendida, por que contém ela tão grande número de estrelas “jovens”? (60) Essas estrelas azuis relativamente quentes, da Seqüência Principal, não poderiam ter existido por tão longo intervalo de tempo, sem que o seu combustível tivesse sido consumido de há muito.

Figura 9 – Nuvem globular de Canes Venatici (M3)
A idade desta nuvem tem sido estimada em 26 bilhões de anos, em sério conflito com o ponto de vista geralmente mantido de que o universo apresente a idade de somente 7 a 10 bilhões de anos.

Como explicação para esse dilema pede-se que acreditemos que as estrelas azuis se condensaram bilhões de anos após as demais constituintes da nuvem. Mas, a partir do que? Lamentavelmente, falta ao cosmogonista matéria prima, pois as nuvens globulares são notórias pela ausência de material interestelar.
4) Estrelas binárias:

Pares de estrelas que giram em torno de um centro de gravidade comum são chamados de estrelas binárias. Hoje em dia é geralmente aceito que ambos os membros de tal par se formaram na mesma época (61). Apesar disso, um membro do par é freqüentemente uma estrela “jovem”, enquanto que a outra é uma estrela “altamente evoluída”.

Sírius, um sistema próximo, consiste de duas componentes: Sírius A, uma estrela azul da Seqüência Principal; e Sírius B, uma anã branca de pouco brilho. Supõe-se que Sírius A seja uma estrela “jovem”, porque seu combustível está sendo consumido em tão prodigiosa quantidade que não teria sido possível manter esse ritmo desde há muito tempo. Sírius B, por outro lado, supostamente evoluiu passando por todos os muitos estágios que levam a uma anã branca, incluindo T do Touro, Seqüência Principal, e gigante vermelha.

Como pode isso acontecer? Como pode uma estrela de um sistema binário parecer jovem enquanto que a outra parece ser velha, e ainda ser atribuída a mesma idade para ambas? Os teóricos parece satisfazerem-se com a explicação de que Sírius B simplesmente “evoluiu mais depressa”. Com teoria tão flexível, poder-se-ia continuar a jogar este jogo à vontade.

Da mesma maneira como a evolução biológica, ela explica bastante; qualquer conjunto de dados pode ser racionalizado para se ajustar à teoria por um ou outro meio. Uma teoria assim insensível aos dados obtidos pela observação tem pouca probabilidade de ser jamais derrubada.

Conclusões

1 – Há muitos elos fracos no ciclo de vida evolutivo hipotético de uma estrela. Dentre eles, o mais fraco é o presumível nascimento espontâneo de estrelas, a partir de material interestelar. Tanto os dados científicos quanto as Escrituras opõem-se fortemente à doutrina da contínua formação estelar. Essa idéia indubitavelmente surgiu em conseqüência das hipóteses implicitamente ateístas que jazem à base da maioria das especulações astronômicas de nossos dias.

A observação e a verdade revelada, ambas, apontam à criação de todas as estrelas em um tempo definido no passado, mediante processos totalmente distintos dos processos atuais. O presente quadro astronômico envolve degeneração, dissipação, e degradação das estrelas, enquanto que claramente deve ter havido um período inicial de organização e “ativação”!

2 – O problema de como supostamente as galáxias se estruturam a si mesmas a partir de matéria primordial é um dos problemas mais enigmáticos de todo o domínio da cosmogonia. Poucos cosmogonistas têm desejado enfrentar o estudo desse problema. Os que têm tentado, têm falhado desastrosamente.

O problema da incapacidade de as galáxias manterem a sua estrutura durante longos períodos de tempo é um dos que necessitam estudo sério da parte dos homens de ciência cristãos. Isso parece ser uma promissora linha de pesquisa para o estabelecimento de uma Criação recente (62).

3 – Não há ainda explicação evolucionista aceitável para a existência dos planetas. De acordo com o nosso conhecimento atual, partículas sólidas não se aglomerariam para formar nem mesmo pequenos blocos de material, muito menos planetas. A formação espontânea de planetas é mantida atualmente como um artigo da fé evolucionista.

4 – Métodos de datação astronômica parecem ser inteiramente faltos de valor científico, pois envolvem suposições relativamente à história evolutiva do objeto a ser datado. Pelo fato de discordarem os astrônomos grandemente a respeito de tais imaginações, há tantas e sérias discrepâncias nas idades apresentadas atualmente na literatura.

Há uma contínua inflação de estimativas de idades, para acompanhar os pontos de vista filosóficos da época. Se os cosmogonistas estão realmente na posse da verdade em qualquer instante, por que deverão eles alterar suas teorias e estimativas de idade no instante seguinte?

5 – A abordagem evolucionista é totalmente inadequada para explicar a origem última de qualquer coisa. Para o evolucionista, cada estágio de desenvolvimento requer um estágio prévio. Nunca pode haver um verdadeiro início. Apesar disso, os dados científicos e as Escrituras, ambos, exigem tal inicio. A explicação mais satisfatória para a origem das estrelas, galáxias e planetas, é uma Criação rápida e miraculosa, que dotou os céus inicialmente com toda a diversidade de estrutura e função que hoje podemos observar.

Agradecimentos

Sou grandemente devedor ao Dr. Emmett Williams, membro do Departamento de Ciências da Bob Jones University, cujo profundo conhecimento de Termodinâmica foi-me de grande auxílio em multas ocasiões. Mr. Gary Guthrie do Departamento de Matemática da Bob Jones University foi bastante gentil em conferir meus cálculos, enquanto que o Dr. Stewart Custer, Dr. Fred Afman e Mr. Arend tenPas, docentes de Bíblia, auxiliaram em problemas de interpretação dos textos bíblicos citados; todos estes três últimos concordaram com a posição estabelecida neste artigo. Foram grandemente apreciadas as sugestões e comentários apresentados por esses cinco colegas, pois há chocante escassez de literatura cristã a esse respeito.

Referências

(1) Abell, G. 1969. Exploration of the universe. 2ª ed.. Holt, Rinehart, and Winston, N.Y., p. 572.
(2) Inglis, S. J. 1967. Planets, stars, and galaxies. 2ª ed.. John Wiley and Sons, Inc., N.Y., p. 325.
(3) Brandt, J.C. 1966. The sun and stars. McGraw-Hill Book Co., Inc., N.Y. p. 111.
(4) Citado em Aller, L. H. and D. B. McLaughlin. 1965. Stellar structure. The University of Chicago Press, Chicago, I11., p. 577. A afirmação foi feita originalmente em uma conferência sobre formação de estrelas. NUFFIC International Summer Course in Science, 1960.
(5) Jastrow, R. and A. G. W. Cameron, editores. 1963. Origin of the solar system. Academic Press, N.Y., pp. 39-53.
(6) Ibid, p. 43.
(7) Ibid, p. 44.
A massa da nuvem dividida pelo seu raio ao quadrado deve ser igual a 7,6 . 10-3 g/cm2. Usando unidades do Sistema CGS tem-se: 2 . 1033 / r2 = 7,6 . 10-3
r2 = 2 . 1033 / 7,6 . 10-3 = 2,63 . 1035 cm2
r = 5,13 . 1017 cm = 5,13 .1015 m
O volume da nuvem V1 é (4/3) p r3, e usando o Sistema de Unidades MKS , tem-se
V1 = (4/3) (3,14) (5,13 . 1015)3 = 5,64 . 1047m3
(8) Ibid, p. 42.
(9) Ibid, p. 42.
O raio do Sol é de 695.000 quilômetros. Cem vezes esse valor é 6,95.1010 metros. O volume da matéria condensada V2 é (4/3) p r3. Usando unidades do Sistema MKS , V2 = (4/3) (3,14) (6,95 . l0l0)3 =1,40 . 1033 m3.
(10) O uso de Cp em vez de Cv deve-se ao fato de que, nesses cálculos, o volume não é constante.
(11) Pode ser mostrado que tal sistema irradiaria cerca da metade da sua energia ao se contrair. (Ver Smith, O.M.H. 1966. A textbook of nuclear physics. Student Edition. Pergamon Press, Oxford, p. 757.) Se essa energia permanecesse na nuvem, a temperatura T2 aumentaria atingindo 200.000 °K ao invés de l00.000 °K. Calculando de novo para essa situação, ainda se obteria o valor de cerca de -30 u.e./mol. Outra objeção que poderia ser levantada é que a nuvem inicial poderia ser muito maior, e com muito mais massa, condensando-se em um agrupamento de estrelas, e não em uma única estrela. Entretanto, seria mantida a mesma ordem de grandeza das relações de volumes e de massas, e o nosso argumento básico ainda valeria.
(12) Page, T., and L. W. Page, editors. 1968. Stars and clouds of the Milky Way. The Macmillan Co., N.Y., pp. 246-253.
(13) Brandt, J. C. Op. cit., p. 60.
(14) Para o material condensado à temperatura de l00.000 °K, a força na direção centrífuga é de 7,1 . 1028 newtons; a força na direção centrípeta é de 8,2 . 1028 newtons. Neste cálculo não foi considerada a força centrífuga devida à rotação.
(15) Estas equações podem ser combinadas, para dar ro = G M2 / 2 n R T que é o valor para o raio no qual são iguais as forças nas direções centrífuga e centrípeta. Isso não é de utilidade específica em nosso caso, devido às incertezas que pesam sobre a temperatura.
(16) Jastrow, R., e A. G. W. Cameron. Op. cit., pp. 43, 44
(17) Page, T., e L. W. Page. Op. cit., p. 210.
(18) Mulfinger, G. 1967. Examining the cosmogonies – a historical review, Creation Research Society Quarterly, 4,57-69.
(19) Brandt, J. C. Op. cit., p. 112.
(20) Ibid., p. 112.
(21) Jastrow, R., e A. G. W. Cameron. Op. cit., pp. 40, 41.
(22) Ibid., p. 41.
(23) Ibid., p. 42.
(24) Herbig, G. H. 1967. The youngest stars, Scientific American, August , pp. 30-36.
(25) Alfvén, H. 1966. Worlds-antiworlds. W.H. Freeman and Co., San Francisco, Calif. p. 77.
(26) Ibid., p. 78.
(27) Encyclopaedia Brittanica. 1964. “Cosmogony”. p. 500.
(28) A magnitude do problema pode ser avaliada a partir de um número recente da revista “Sky and Telescope”. Na página 302 do número de novembro de 1969, a revista descreveu um modelo no qual três cosmogonistas utilizaram 115.000 pequenas nuvens de gás já devidamente arranjadas em um disco plano e movendo-se com as velocidades de rotação selecionadas de maneira adequada! Não há mais limitação para as conjecturas poderem ser consideradas legítimas!
(29) Ver Hodge, P. W. 1966. Galaxies and cosmology. McGraw-Hill Book Co., Inc., N.Y., pp. 6-14, 116, 117, para uma boa discussão sobre essas teorias antigas.
(30) Ibid., p. 123.
(31) Abell, G. Op. cit., p. 629.
(32) Hodge, P. W. Op. cit., p. 122
(33) Jastrow, R., e A. G. W. Cameron. Op. cit., p. 171.
(34) Ibid, p. 171, 172.
(35) Ibid, p. 172. Essa dificuldade é discutida por Whitcomb, John C. 1964. The origin of the solar system. Presbyterian and Reformed Publishing Co., Nutley, N. J. p. 12. Também o artigo de Whitcomb publicado em setembro, 1967 no Creation Research Society Quarterly, apresenta uma lista de nove obstáculos com os quais as melhores teorias sobre o sistema solar se deparam sem serem capazes de superá-los.
(36) Ibid, p. 68.
(37) Low, F. J. and B. J. Smith. 1966. Infrared observations of a preplanetary system, Nature, 212:675, 676.
(38) Inglis, S. J. Op. cit., (Referência 2), p. 275, 276.
(39) Herbig, G. Op. cit., p. 35.
(40) Meadows, A. J. 1967. Stellar evolution. Pergamon Press, Oxford, p. 151.
(41) Aller, L. N. 1969. The planetary nebulae-part II, Sky and Telescope, 37,348.
(42) Inglis, S. J. Op. cit., p. 298.
(43) Brandt, J. C. Op. cit., (Referência 2), p. 275-276.
(44) Abell, G. 1964. Exploration of the universe. 1ª ed., Holt Rinehart, and Winston, N.Y., p. 532.
(45) Em seu livro The creation of the universe, 1952, (p. 32 na edição da Bantam Books) Gamow assegurou que uma discrepância anterior havia sido estabelecida envolvendo seguramente 4,3 bilhões de anos. (Anteriormente havia sido 1,7 bilhões). Não obstante, em um livro posterior ele aumentou a estimativa para 5 bilhões. Ver Gamow, G. 1958. Matter, earth, and sky. Prentice Hall, Inc., Englewood Cliffs, N. J., p. 518.
(46) Peebles, P. J. E., e D. T. Wilkinson. 1967. The primeval fireball, Scientific American, June, p. 28.
(47) Ashford, T. A. 1967. The physical sciences – from atoms to stars. 2ª ed., Holt, Rinehart, and Winston, Inc., N.Y., p. 677.
(48) Artigo intitulado Universe 70, not 10 billion years old, com afirmação de Shklovski, em Scientific Research, October 1967, p. 25.
(49) Alfvén, H. Op. cit., p. 68.
(50) Hoyle, F. 1960. The nature of the universe. Signet Science Library , N.Y., p. 113.
(51) Alfvén, H. Op. cit., p. 70.
(52) Ibid., p. 70.
(53) Hodge, P. W. Op. cit. (Referência 29), p. 161.
(54) Physics in 1968. News from the American Institute of Physics, p. 12.
(55) Hodge, P. W. Op. cit., p. l23.
(56) Arp, H. 1969. On the origin of arms in spiral galaxies, Sky and Telescope, 38:385.
(57) Ibid., p. 385.
(58) Coleman, J. A. 1963. Modern theories of the universe. Signet Science Library, The New American Library, N.Y., p. 121.
(59) Evidências a favor de um universo em degeneração foram discutidas por Mulfinger, G. 1968, em Degeneration processes in the cosmos, Bible-Science Newsletter, September, 1968, p. 1.
(60) Inglis, S. J. Op. cit., p. 363.
(61) Huang, S. S. 1967. The origin of binary stars, Sky and Telescope, 34: 369, 370.
(62) Outro assunto que deveria ser estudado cuidadosamente pelos membros da Sociedade é a incapacidade dos cometas de permanecerem intactos ao longo de grandes períodos de tempo, e as implicações deste fato com relação à data da Criação.