Foi lançado recentemente o livro de autoria do físico Marcelo Gleiser, intitulado “A Dança do Universo – Dos Mitos da Criação ao Big-Bang”, pela Companhia das Letras. O autor, nascido no Rio de Janeiro, é doutorado pelo King’s College, na Inglaterra, tendo sido pesquisador em vários centros de fama internacional.

À parte a caracterização da Criação como mito, e a implícita aceitação do “big-bang” fora da categoria dos mitos, o livro apresenta aspectos interessantes para os interessados na controvérsia entre criacionismo e evolucionismo.

O livro é um best seller que já atingiu 40 mil exemplares vendidos no Brasil e nos Estados Unidos, devendo em breve ser lançado também na Alemanha, sendo a sua questão básica responder à pergunta “Será possível que uma pessoa possa questionar o mundo cientificamente, e ainda assim ser religiosa?”.

TRECHOS DO LIVRO

“Sem dúvida, vários cosmólogos são ateus. Eles não procuram (e não deveriam procurar!) Deus nem nenhuma conexão religiosa em suas equações ou dados experimentais. Mesmo assim, são atraídos pelas “grandes questões”, que podem abranger desde a origem do Universo e da matéria até a distribuição de galáxias no Universo. Seria ingênuo de minha parte tentar entender por que certos físicos decidem dedicar-se ao estudo das questões cosmológicas. As razões são tão variadas quanto o número de cosmólogos ao redor do mundo. Somos o produto de nossas escolhas, e a decisão do que fazer com nossas vidas é certamente subjetiva; mas, pelo menos posso falar por mim mesmo. Aprendi que era possível estudar cientificamente questões relacionadas com a origem do Universo e com a origem da matéria. Aprendi também que era possível fazer previsões sobre o comportamento do Universo durante seus primeiros instantes de existência usando o modelo (ênfase suprida) do “big-bang”. Em graus diferentes, todos fazemos parte dessa aventura, todos podemos compartilhar o êxtase que surge a cada nova descoberta! Nesse sentido, Você, eu, Heráclito, Copérnico e Einstein somos todos parceiros da mesma dança, todos dançamos com o Universo. É a persistência do mistério que nos inspira a criar.”