Foi lançado recentemente pela “Oxford University Press” o livro de autoria de John D. Barrow intitulado “Impossibility: The Limits of Science and the Science of Limits”, cujo resumo crítico apresentamos a seguir (“Nature and Resources”, vol. 35, no 3, pp. 56-57, Newspieces).

“Tanto os cientistas quanto os filósofos preocupam-se bastante com as impossibilidades. Os cientistas gostam de mostrar que são de fato perfeitamente possíveis coisas que eram geralmente consideradas como impossíveis. Os filósofos, ao contrário, são mais inclinados a demonstrar que coisas geralmente consideradas como perfeitamente possíveis são de fato impossíveis.

As evidências indiscutíveis de que a natureza é governada por “leis” confiáveis permitem-nos separar o possível do impossível. O ambiente natural para o progresso científico só foi proporcionado por culturas em que havia a crença de que existe uma distinção entre o possível e o impossível.

Mas a impossibilidade não diz respeito somente à ciência, e em seu livro o astrônomo John D. Barrow demora-se em algumas outras áreas em que o impossível estimulou a mente humana a dar passos inesperados na arte, na literatura, na política, na teologia e na lógica, revelando como o conceito do impossível pode lançar luz na natureza e no conteúdo do real.

Um argumento sempre repetido é que a noção do impossível é muito mais sutil do que se seria levado a crer a partir de hipóteses simplistas sobre os infinitos horizontes da ciência, ou de infundadas esperanças de que obstáculos serão removidos. Os limites são onipresentes. A ciência somente existe porque existem limites ao que a natureza permite.

Se para a impossibilidade existe algo mais do que discernimos à primeira vista, isso, em nosso entendimento deve estar longe de ser considerado como negativo. De fato, o argumento central de John D. Barrow é que gradualmente chegaremos a compreender que as coisas que não podem ser conhecidas, que não podem ser feitas, e que não podem ser vistas, definem nosso Universo mais claramente, mais completamente, e mais precisamente, do que aquelas que podem.”

Não deixa de ser interessante considerar esses pensamentos de John D. Barrow no contexto da controvérsia entre as estruturas conceituais criacionista e evolucionista!