A partir do final do ano passado, como noticiado em nossa Folha Criacionista número 61, era grande a expectativa da “amartissagem” da sonda “Mars Polar Lander”, prevista para o dia 3 de dezembro de 1999, às 12 horas (Horário Padrão do Pacífico, nos Estados Unidos da América). Lançada em 3 de janeiro de 1999, a sonda chegaria a Marte após percorrer cerca de 80 milhões de quilômetros pelo espaço interplanetário, devendo descer nas proximidades do polo sul do “planeta vermelho”. Por razões ainda desconhecidas, perdeu-se o contacto com a sonda “Mars Polar Lander”, e a NASA, Agência Espacial norte-americana, ainda está averiguando as possíveis causas deste e de outros insucessos em seu programa espacial.

Não obstante, numa tentativa de aplacar a ira dos contribuintes, que passam a questionar cada vez mais os objetivos do programa espacial, a NASA orquestrou uma ampla divulgação dos sucessos obtidos e da importância do programa estabelecido para o futuro.

No Brasil, a imprensa divulgou notícias como a publicada em 21 de fevereiro de 2000 no Correio Braziliense, acenando com promissoras perspectivas de continuidade do programa, culminando com a pretensão de levar seres humanos para aquele planeta. O título da referida notícia é “O Homem vai a Marte”. Dela transcrevemos alguns dos trechos mais otimistas:

… A NASA, que esperou 21 anos após a missão Viking, em 1976, para retornar à superfície do planeta vermelho com o “Pathfinder”, organizou um cronograma permanente de missões para a exploração de Marte. Como a quantidade de combustível necessário para a viagem é menor quando Marte está mais próximo da Terra, as próximas oportunidades de lançamento são em 2001 e 2003 – os dois planetas aproximam-se a cada 26 meses.

Em 1989, a NASA elaborou um plano mirabolante. Ele previa uma viagem de 30 anos com bases lunares enormes, espaçonaves gigantescas, e um orçamento de nada menos do que 450 bilhões de dólares. Esse projeto foi logo descartado, e os cientistas começaram as pesquisas para formular uma alternativa que fosse mais barata e rápida. Ao redimensionar o plano, conseguiu-se eliminar a necessidade de uma nave grande para carregar o combustível, e de constuir novas plataformas de lançamento em Cabo Canaveral. O resultado foi concretizado no que chamaram de Missão Referencial de Marte.

A missão começa, no mais tardar, em 2011, com o lançamento de dois foguetes que transportarão um veículo de retorno à Terra e um segundo carregamento com um hábitat inflável, um veículo de transporte da tripulação de volta à nave principal, uma fábrica de produção de combustível, brocas e outros equipamentos para a exploração do solo. O mais extraordinário é que os elementos necessários para a fabricação da energia serão extraídos da própria atmosfera marciana.

O lançamento por etapas, a verificação do funcionamento dos equipamentos e a produção do combustível ocorrerão durante um período de dois anos antes da chegada da tripulação. Se tudo correr bem, uma equipe de seis astronautas será então enviada na próxima aproximação entre os planetas. A viagem durará dois anos e meio – cerca de seis meses para se chegar a Marte, 500 dias trabalhando na superfície do planeta, e mais seis meses para voltar à Terra.

Sem dúvida, o plano é extraordinário, exige um enorme esforço científico e tecnológico, bem como milhões de dólares, juntamente com a necessária coordenação de numerosas equipes técnicas, e também por isso não deixa de ser “mirabolante”!

Não deixa de ser perfeitamente cabível fazer a pergunta sobre qual seria o principal móvel de toda essa arregimentação. E podemos ter certeza de que a resposta teria a ver com uma imensa dose de esperança de que, com todo esse esforço, fosse possível detectar a existência de vida extra-terrestre, “comprovando” dessa forma a teoria da evolução!

Permitimo-nos, apenas, lembrar que as primeiras observações telescópicas de Marte induziram competentes astrônomos a inferir a existência de vida altamente civilizada naquele planeta, em resultado da estrutura conceitual em que eles se haviam colocado. Novamente estamos em face da exacerbação de uma tomada de posição quanto à existência de vida em Marte – não mais avançadas civilizações, mas meramente eventuais simples microorganismos! E por ser uma tese anti-criacionista, valem todos os esforços para procurar a sua comprovação.

Elaboramos para nossos leitores o Quadro abaixo com um resumo das missões a Marte efetuadas na década de 1990, outras missões ainda em operação, e as missões planejadas pela NASA.

 

MISSÃO EFETUADA

 

INÍCIO

 

CUSTO

 

OBSERVAÇÕES

Mars Observer 25/09/92 US$ 1.000.000.000 Contacto perdido em 1993
Mars Global Surveyor 07/11/96 US$ 270.000.000 Bem sucedida
Mars Pathfinder 04/12/96 US$ 265.000.000 Bem sucedida
Mars ’96 1996 Caiu
Mars Climate Orbiter 11/12/98 US$ 125.000.000 Perdido em setembro 1999
Mars Polar Lander 03/01/99 US$ 194.000.000 Contacto perdido em 1999
 

MISSÃO EM OPERAÇÃO

 

INÍCIO

 

CUSTO

 

OBSERVAÇÕES

NEAR
Lunar Prospector
Stardust
Deep Space 1
Mars Global Surveyor 07/11/96 US$ 270.000.000 Bem sucedida
Mars Pathfinder 04/12/96 US$ 265.000.000 Bem sucedida

MISSÃO PLANEJADA

INÍCIO

CUSTO

OBSERVAÇÕES

Presença robótica 2001
sustentável 2003 Avião
em Marte 2005 marciano
Preparo de habitat 2011
Missão humana 2014 Seis astronautas