O Problema da Definição

Definições, até certo ponto, podem ser consideradas arbitrárias, isto é, dentro de certos limites, não se pode dizer que uma definição é correta e outra é errada.

Por outro lado, é possível gerar definições nas quais nada se encaixe. Por exemplo, podemos definir M como sendo o conjunto dos números reais tais que seu quadrado seja negativo. O resultado é que M é um conjunto vazio, pois nada se encaixa em tal definição.

Outros problemas que podem surgir são a falta de padronização e a deriva (1) de significados.

Por exemplo, digamos que duas pessoas estejam a trocar idéias que associam à palavra ‘entropia’. Só que elas possuem diferentes definições para este termo. O resultado de tal debate será caótico e, provavelmente, pouco proveitoso.

No caso da deriva de significados, as palavras tendem a mudar de sentido com o passar do tempo (ao longo de um debate, por exemplo). Isto também tende a gerar resultados catastróficos sobre as conclusões a que se pode chegar.

Ocorre que estes temíveis fenômenos lingüísticos têm ocorrido em relação à palavra ‘entropia’.

Como tais considerações geralmente referem-se à grandeza mencionada na segunda lei da Termodinâmica, devemos ater-nos à definição usada no enunciado desta lei.

Definição de Entropia

Aconselhamos que o leitor leia o artigo de nossa autoria cujo título é “O Que é Entropia?”, caso ainda não o tenha feito. Daqui por diante, suporemos que o leitor já tem conhecimento do conteúdo do referido texto (publicado neste número da Folha Criacionista imediatamente antes deste artigo).

De acordo com a definição de entropia que estamos utilizando, a entropia existe desde o nascimento do Universo e durará enquanto este existir, isto é, enquanto existirem seres criados, conforme discutiremos nas seções abaixo.

É bom lembrar que à entropia também está associada uma medida da informação associada a um estado. E se trabalharmos em uma definição coerente de ‘vida’, notaremos que tal definição deverá estar, no mínimo, intimamente ligada à de ‘processamento de informações’. Não pretendemos entrar nestes detalhes aqui, mas desejamos mencionar que há base para se afirmar que, por definição, não há vida sem entropia, por mais que procuremos pensar em coisas diferentes (como “corpos etéreos” ou coisas assim).

Já no contexto da Mecânica Estatística, que é bem mais poderosa e confiável do que a Termodinâmica (embora não negue os seus resultados práticos, e nem possa fazê-lo, pois a Termodinâmica verifica-se experimentalmente), o que ocorre é que a probabilidade de redução de entropia em um sistema isolado é, em virtualmente todos os casos de importância prática, tremendamente próxima de zero.

Se examinarmos o fundamento de tal conclusão, também veremos que isto nada tem a ver com a existência do pecado. Será então que a segunda lei da Termodinâmica estará ainda em vigor na Nova Terra? Isto não causaria degradação e morte? Esta lei era válida antes da entrada do pecado?

Como seria um universo em que esta lei não se aplica? Mais especificamente, o que seria de nosso universo se a segunda lei da Termodinâmica deixasse de existir?

Resumindo, um mundo sem a segunda lei da Termodinâmica seria terrivelmente inóspito, inabitável, justamente ao contrário do que se poderia pensar a partir de idéias popularmente aceitas.

A segunda lei da Termodinâmica já era válida antes do pecado? Esta pergunta é relativamente fácil de responder pela observação do Universo. Quando olhamos para o céu, o que vemos não é o Universo atual, como ele é hoje. O que vemos é uma imagem do que ocorreu no passado.

Resumindo: a segunda lei da Termodinâmica é válida em todo o Universo desde que ele foi criado, mesmo antes da entrada do pecado.

Deus não precisa violar ou alterar qualquer de Suas leis para nos conceder vida e felicidade eternas.

E quanto ao pecado, qual sua relação com a segunda lei da Termodinâmica? O que o pecado fez foi eliminar barreiras anti-degradação que antes eram sustentadas por esta mesma lei. Tendo restado apenas uma parte dos mecanismos biológicos de regeneração, os seres vivos da Terra foram profundamente modificados em função do pecado. Como conseqüência, a própria paisagem da superfície da Terra sofreu alterações, especialmente com o dilúvio.

Autor


  • Eduardo Lütz é professor do Instituto de Matemática da UFRGS, é mestre em Física e está concluindo sua tese de Ph.D.