Em nota apresentada na página 21 da Folha Criacionista número 61 foi abordado o assunto “Quem inventou o telescópio”, fazendo-se então referência ao livro “La Scrittura Celeste” de autoria do Prof. Giovanni Pettinato. Tivemos a grata satisfação de receber de nosso amigo e colaborador, Prof. Fernando De Angelis, fundador do movimento criacionista na Itália, um exemplar do referido livro, do qual transcrevemos o seguinte trecho referindo-se ao assunto em questão, que julgamos ser de interesse para os nossos leitores:

Havíamos mencionado anteriormente as medidas efetuadas (pelos assírios) mediante o uso das mãos e dos dedos. Muitos cálculos feitos com tal método antropométrico, entretanto, resultam tão precisos que, entre os estudiosos do assunto, levantam a suspeita de ter sido usado (pelos assírios) pelo menos alguns instrumentos para auxiliar o olho nu. Como recentemente observou o Prof. A. Kyrala, que leciona física na Universidade do Arizona, de fato não seria possível distinguir medidas angulares inferiores ao minuto de arco a olho nu. As medidas angulares foram inventadas pelos Babilônios, sendo 60 segundos de arco iguais a 1 minuto, e 60 minutos iguais a 1 grau. As medidas registradas nos cálculos astronômicos encontrados nos tabletes cuneiformes são de grandeza inferior ao minuto de arco, de modo a eliminar a hipótese de ter sido sempre utilizado o olho nu naquelas observações astronômicas.

Conseqüentemente, os astrólogos deveriam contar entre seus instrumentos para a observação dos astros, além de uma vista acurada, todos os tabletes da série Enuma Anu Enlil (o manual do astrólogo), e também sistemas de posicionamento que lhes permitissem ter tamanha precisão nos cálculos e nas localizações. Se, por um lado, é fácil supor a existência de um sistema de posicionamento do tipo de um sextante, bastante elementar, aliás, para eles que haviam inventado as medidas angulares, ficamos pasmados ao pensar que os Babilônios já haviam idealizado uma forma talvez rudimentar de luneta astronômica.

É interessante observar que, embora não tenhamos evidências arqueológicas do sextante, temos da luneta, provavelmente referida nos textos cuneiformes – em tabletes neo-assírios de fato são registradas consignações próprias, aos astrólogos, de lentes especificamente com suportes de tubos de ouro. O fato que por sua vez vem explicar a finalidade a que devia servir a lente, de “aumentar a pupila”, é que nos convence que se está fazendo referência direta a uma observação difícil de ser feita a olho nu.

Não nos surpreende, pois, que já nas escavações conduzidas por Layard em Nínive, em meados do século passado, tenha sido encontrada uma dessas lentes, feita de cristal de rocha, com a distância focal de 4,5, e seria de crer que o arqueólogo inglês tivesse também se deparado com um instrumento cuja existência estamos aqui sustentando.


ASTRONOMIA EM BABILÔNIA

Trechos de Richard Stephenson, The Skies of Babylon, pp. 478-481, New Scientist, 19/08/82)

O mais antigo texto astronômico babilônico conhecido (na realidade, na forma de cópia, e não de texto original) data de cerca de 1700 A. C., e trata de observações do planeta Vênus feitas no reinado deAmmisaduqa. Os pesquisadores não mais encontraram quaisquer outros documentos de natureza astronômica efetivamente gravados em tabletes cuneiformes, com datas posteriores a esse texto, até o século oitavo A. C., estimando, entretanto, que somente cerca de 5% do material original tenha sido descoberto. Os tabletes conhecidos que voltam a tratar de observações astronômicas têm data provável entre 747 e 745 A. C., e apresentam dados referentes a eclipses lunares ocorridos durante três anos do reinado de Nabopolassar. Tudo indica que os Babilônios possuiam algum tipo de clepsidra para a medida do tempo, que era feita com precisão de 1 us, isto é, o intervalo de tempo que a esfera celeste levava para deslocar-se de 1 grau angular. Além de dados astronômicos propriamente ditos, os tabletes apresentam informações outras sobre a formação de arco-iris, halos, núvens, neblina, chuva e vento, e a variação do nível do rio Eufrates. A precisão dos dados resultantes das observações astronômicas dos Babilônios permitiu calcular hoje a taxa média de aumento da duração do ano solar durante os últimos 2500 anos – 1,78 milissegundos por século!