CAPÍTULO 4
AS CRÔNICAS DOS ANTIGOS BRETÕES

“Se Deus quiser, em outro momento mais conveniente, e em local mais adequado, serão restauradas para os originais de Brutus a concordância maravilhosa com as histórias da antigüidade, e a sua grande e inesperada luz e credibilidade …”
(John Dee 1577, Cotton MS. Vitellius, C., vii f 206v)

Na quarta-feira, 7 de novembro de 1917, Flinders Petrie, renomado arqueólogo da época, em reunião da Academia Britânica, dirigiu uma mensagem aos seus membros. Ele estava para lhes apresentar uma monografia intitulada Neglected British History (História Britânica Esquecida) (1) na qual chamava na atenção para o fato de que um considerável acervo9 de material histórico documental estava sendo passado por alto, se não voluntariamente ignorado, como fonte primária, pelos historiadores modernos. Ele chamou a atenção rapidamente para a obra de Geoffrey of Monmouth, e em seguida demorou-se mais em um registro específico que lançava muita luz sobre a história bastante desprezada de Geoffrey. Este antigo livro para o qual ele chamou a atenção era então conhecido por ele como a Tysilio Chronicle, hoje classificada como Jesus College MS LXI, e integrada no acervo da Biblioteca Bodleiana, de Oxford. Escrito em Galês medieval, como seu próprio termo de impressão (colofão) indica, (2) é uma tradução que foi ordenada pelo mesmo Walter de Oxford que encarregou Geoffrey of Monmouth de traduzir certo antigo livro bretão para o Latim. Tratava-se, de fato, de uma tradução, do antigo Bretão para o Galês medieval, do mesmo material original usado por Geoffrey, e constitui uma resposta para todos os críticos eruditos que haviam afirmado com tanta ênfase, ao longo de anos, que Geoffrey of Monmouth estava mentindo ao alegar que tinha traduzido aquele livro.

Entretanto, esta não foi a única luz que a crônica galesa devia lançar, pois ela iria abordar assuntos de muito maior importância e relevância do que o mero resgate do bom nome de Geoffrey. (3) De fato, ela contém relatos historicamente verificáveis que derrubam muitas hipóteses e ensinos modernistas sobre nosso passado.. Mais importante, ainda, o material nela contido revela uma antigüidade para si mesma que estende a história registrada contemporaneamente para épocas desconcertantemente anteriores. Desconcertantes, sim, para as filosofias modernistas e evolucionistas. Flinders Petrie destaca alguns desses pontos, e iremos considerá-los neste capítulo, juntamente com alguns outros.
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Tudo isso nos ajuda na datação não só do fascinante e indubitavelmente antigo material da Crônica Galesa e da versão de Geoffrey, mas também do material que Nennius nos deixou, e que consideramos no capítulo anterior, e a partir do qual fomos capazes de construir a Tábua das Nações Européias. Fica claro que nada disso pode ser atribuído ao trabalho nefasto de monges cristãos primitivos que estivessem procurando impingir ao mundo uma história inventada, embora piedosa, pois todo o material que consideramos neste capítulo antecede pelo menos um século a chegada da fé cristã aos antigos Bretões, e certamente até um milênioi ou mais. Em outras palavras, a já fastidiosa acusação modernista de fraude piedosa está categoricamente rejeitada. Isto será retomado no capítulo seguinte, que resume o conteúdo tanto de Geoffrey como das Crônicas Galesas, e no Apêndice 7 onde se expõe a genealogia dos primeiros reis bretões. As datas aproximadas de cada rei são dadas também, da maneira como fui capaz de calculá-las a partir das evidências internas contidas na Crônica Galesa e na versão latina de Geoffrey, (31) e de evidências externas derivadas de outras fontes.

(Leia todo o artigo na Revista Criacionista)