(MASSACRES E CATÁSTROFES)

O que vem a seguir é a história dos reis dos primeiros Britões, como apresentada tanto por Geoffrey of Monmouth como pelas Crônicas Galesas. Trata-se de uma história registrada que ficou no esquecimento após o massacre dos monges britões em Bangor no ano 604 A.D., por instigação de Agostinho, tendo assim ficado inteiramente desconhecida ou ignorada pelos cronistas saxões e normandos da Inglaterra. Conseqüentemente, entre os eruditos ingleses dos sécúlos XVI e XVII, acabou sendo suposto, de maneira geral e inquestionável, que jamais tivessem existido tais registros, e que a obra de Geoffrey of Monmouth ou a Crônica Galesa eram falsificações e contos de fada. Essa opinião persiste ainda hoje. Vimos, entretanto, no capítulo anterior, como esses registros gozam de grande dose de vindicação histórica, a despeito da sua rejeição pelo mordernismo da moda. Eis aqui, porém, a história simples e sem adornos que as próprias crônicas contam, uma história que nenhuma criança terá aprendido em seus bancos escolares em qualquer escola desta Terra. Ela se estende ao longo de 2.000 anos, e sua sobrevivência até hoje, menos do que um milagre, é um tributo àqueles eruditos galeses de antanho que reconheceram sua importância e a preservaram integralmente para nossa leitura.

Dentre os antigos registros que os próprios Britões nos legaram, está preservada (pelo menos por Nennius) a lista dos primeiros reis britânicos, contados, geração a geração, desde Jafé, filho de Noé. Porém, a história dos Britões como uma nação à parte teve seu início com a queda de Tróia, e é neste ponto que Geoffrey of Monmouth e as Crônicas Galesas iniciam a história.

Anchises (Anquises), que conhecemos de outras histórias, fugiu das ruínas do incêndio de Tróia, com seu filho Enéias, seguindo em direção à terra que hoje chamamos de Itália, assentando-se com seus companheiros nas margens do rio Tibre, em torno do local que posteriormente se tornou Roma. A população nativa era regida por Latinus (Latino), que recebeu Enéias e os seus com bondade e hospitalidade. Em retribuição, Enéias derrotou o inimigo de Latinus – Turnus, rei dos Rútulos. Enéias casou-se com Lavínia, filha de Latinus, e dessa união nasceu Enéias Sílvio, que posteriormente chegou a reinar sobre todas as tribos da Itália. Foi, porém, através da linhagem de seu irmão Ascanius (Ascânio) que a linhagem real se perpetuou, com o nascimento de Sílvio, filho de Ascanius. Sílvio seduziu uma sobrinha (cujo nome é desconhecido) de Lavínia, esposa de seu avô, e de sua união nasceu Brutus. A mãe de Brutus morreu ao dar-lhe à luz. Ao chegar aos seus quinze anos, Brutus acidentalmente matou seu pai com uma flecha, enquanto caçavam. Por ter ocasionado a morte de seu pai e sua mãe, Brutus foi exilado da Itália, e a linhagem real de Enéias passou às mãos de outrem. E neste ponto inicia-se a história dos Britões como uma nação à parte.

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