É com alegria que a Sociedade Criacionista Brasileira traz à luz este número 70 de sua Revista Criacionista, tentando abordar de maneira mais específica os temas do Planejamento Inteligente e das Catástrofes, tendo como pano de fundo dois artigos de autoria de Ariel A. Roth, ilustre cientista que até há pouco tempo exercia a função de Diretor do Geoscience Research Institute, instituição congênere à nossa, com sede no campus da Universidade de Loma Linda, Califórnia, EUA.

Planejamento Inteligente (Projeto Inteligente, ou Design Inteligente) é um tema que se torna cada vez mais importante na controvérsia entre Criacionismo e Evolucionismo, merecendo maior atenção nos próprios círculos evolucionistas, apesar das reações evidentes contra a mudança de paradigmas que sempre caracterizaram o estamento científico.

Catastrofismo, por sua vez, é outro tema bastante abrangente, que envolve não só questões ligadas à geologia e à biologia, mas também setores bastante mais amplos do conhecimento científico. Talvez se pudesse fazer aqui, nesse sentido, à guisa de exemplificação, um paralelo entre a abrangência do Catastrofismo e a abrangência da Teoria do Caos. Da mesma forma como a Teoria do Caos extrapolou seus limites iniciais de mera teoria matemática – passando a aplicar-se a um sem número de âmbitos distintos, como escoamentos turbulentos, meteorologia, negócios na Bolsa, epidemiologia, psicopatologia, sociobiologia, neurologia, etc. – também o Catastrofismo passou a incorporar-se a numerosos setores do conhecimento, trazendo contribuições valiosas para a compreensão da realidade com a qual nos deparamos em vários e diversificados setores do desenvolvimento científico.

Não poderemos deixar de iniciar nosso Editorial sem chamar a atenção para a etimologia da palavra Catástrofe. Embora não destacado de modo muito claro nos dicionários de língua portuguesa, pode-se perceber de forma nítida nessa palavra duas raízes gregas distintas transliteradas a seguir – “cata” e “aster”.

“Cata” corresponde a um prefixo da língua grega que significa “para baixo”, e que se encontra em numerosas outras palavras provenientes do Grego, introduzidas na língua portuguesa através do Latim, como ilustrado pelos seguintes exemplos extraídos do Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda:

· Catabolismo (do Grego katabolé) – “ação de atirar de cima para baixo”
· Catadupa – (do Grego katadoúpa) – “queda d’água”
· Catarata – (do Grego kataráktes) – “que se lança para baixo”
· Catarrino – (do Grego katarhynós) – “primatas com narinas voltadas para baixo”

Acrescem ainda as palavras Catacumba – sepultura, galerias subterrâneas – e Cataclismo (do Grego kataklysmós) – grande inundação, dilúvio – ambas indicando o sentido de cima para baixo.

“Aster”, por sua vez, é a raiz grega da qual se originaram as palavras da língua portuguesa astro, asteróide e estrela, e que se encontra também, de forma bastante significativa, nas palavras desastre e catástrofe.

Catástrofe (do Grego katastrophé) tem o significado de “reviravolta” conforme Aurélio, e deixa transparecer a idéia de algo sideral vindo de cima para baixo. Assim, as palavras cataclismo e catástrofe etimologicamente não deixam de constituir reminiscências do grande Dilúvio Universal relatado no livro de Gênesis!

Tentando fazer uma ligação entre os conceitos de Planejamento Inteligente e Catástrofes em geral, permitimo-nos chamar a atenção para a concepção de um planeta Terra criado com desígnio e propósito, planejado, projetado e estabelecido para que fosse possível a existência de vida em um patamar de excelência do qual ainda restam evidências notáveis. Sim, porque apesar da desestabilização daquele patamar original, causada pelos eventos catastróficos da Queda e do Dilúvio, ainda permanecem visíveis, em patamar de outro nível, as características de projeto e planejamento original.

Destacamos, assim, neste número da Revista Criacionista, o primeiro artigo de Ariel A. Roth sobre o Planejamento Inteligente, que rememora a Criação em um patamar de excelência original, e o seu segundo artigo, que aponta para a Catástrofe do Dilúvio e as transformações dela decorrentes, que caracterizam ainda uma fase de instabilidade que, em princípio, ainda está tendendo gradativamente a um patamar inferior de equilíbrio.

Os demais artigos, bem como as notícias, que foram selecionados para este número da Revista, em sua maioria visam ressaltar aspectos distintos ligados a essa conceituação catastrofista, em sua conexão com o Planejamento Inteligente.

Os Editores