Mais uma interessante notícia publicada no “site” da revista Galileu, que lança água fria na efervescência da propalada similaridade genética entre os seres humanos e os chimpanzés!

Em 27 de maio passado, com o título acima, foi veiculada no “site” a notícia transcrita a seguir, que deixa transparecer claramente a tendenciosidade das notícias anteriores sobre a comparação dos genomas respectivos dos seres humanos e dos chimpanzés.

Homens e macacos podem não estar tão próximos quanto se pensava, de acordo com uma equipe de cientistas envolvida no primeiro seqüenciamento preciso do DNA de um cromossomo de chimpanzé. O resultado da pesquisa foi publicado na revista “Nature” desta semana e conclui que, mesmo que nosso código genético seja bastante semelhante, as proteínas que produzimos podem ser muito diferentes.

Os cientistas do Centro de Ciências Genômicas Riken, no Japão, seqüenciaram o cromossomo 22 dos chimpanzés e o compararam com seu equivalente no genoma humano, o nosso cromossomo 21. Descobriram então que as bases de DNA dos dois são apenas 1,44% diferentes. Essa informação confirmou as suposições anteriores dos cientistas, baseadas no seqûenciamento do genoma humano, que diziam que homens e chimpanzés eram iguais em cerca de 98,5% de seu genoma.

Apesar disso, entender de fato a importância dessas diferenças é muito mais difícil do que parecia. Um gene é formado por milhares ou milhões dessas bases de DNA. Logo, pequenas alterações nas bases criam também genes diferentes e, portanto, proteínas diferentes (os genes são combinações de bases que formam um ou mais aminoácidos para controlar ou produzir proteínas). Nos 231 genes comparados na pesquisa, os cientistas encontraram 83% de alterações que afetam aminoácidos e proteínas. Além disso, 20% deles apresentavam “mudanças estruturais significativas”.

A grande surpresa em relação a isso veio do fato dos cientistas não esperarem encontrar as diferenças entre homens e chimpanzés nessa parte do genoma. Eles acreditavam que as encontrariam em diversos trechos de DNA, cujas funções são ainda desconhecidas, pois não formam nenhum gene. Além disso, eles observaram 68 mil regiões – o que equivale a 5% desses cromossomos – que estavam sobrando ou faltando nos dois genomas.

As diferenças entre o genoma do homem e o do chimpanzé podem ser substancialmente maiores, uma vez que o cromossomo 22 representa somente 1% do código genético deles. Para ter a visão completa dessas alterações, os cientistas vão ter que esperar a conclusão do seqüenciamento de todo o genoma do chimpanzé, previsto para ainda este ano.